Jornalista condenado a 11 meses de prisão

O jornalista do Expresso Manso Preto foi condenado a 11 meses de prisão com pena suspensa durante três anos por ter recusado revelar em tribunal as suas fontes enquanto testemunha num processo de tráfico de droga.

RTP Multimédia, com Lusa /

"Considero excessiva a pena", disse Manso Preto após a leitura da sentença, esta tarde no 4º Juízo Criminal de Lisboa. "Sinto-me muito triste", avrescentou.

Tiago Bastos, advogado do jornalista, garantiu que vai recorrer da sentença e considerou ter havido uma "insensibilidade da magistratura para o que são os direitos fundamentais".


O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, também discordou da sentença, considerando que "o José Luís Manso Preto pagou para já com uma condenação, mas isso significa que as suas fontes e as fontes de informação dos jornalistas em geral podem continuar a confiar nos jornalistas".

Manso Preto, colaborador do semanário Expresso, foi arrolado como testemunha de defesa no caso dos irmãos Pinto, camionistas acusados de tráfico de droga e que se tornaram conhecidos por liderar o bloqueio na Ponte 25 de Abril, em 1995.

Questionado em tribunal sobre matérias de que tomou conhecimento enquanto jornalista, invocou o seu dever de sigilo profissional para não revelar o nome da fonte.

O caso chegou ao Tribunal da Relação, que determinou a quebra do segredo profissional, tendo o jornalista mantido a recusa, alegando que isso prejudicaria a sua actividade profissional.
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