José Saramago revela carta de Álvaro Cunhal a prever que "nunca abandonaria o partido"
Lisboa, 08 Out (Lusa) -- O escritor comunista José Saramago revelou hoje que Álvaro Cunhal, líder histórico do PCP, "tinha razão" ao prever, numa carta que nunca chegou a receber, que "nunca abandonaria o partido".
"Tinha razão e aqui estou", afirmou hoje o escritor, sob uma enorme salva de palmas de militantes comunistas, numa homenagem do seu partido, em Lisboa, no 10º aniversário da atribuição do Prémio Nobel da Literatura.
O escritor, militante comunista desde a década de 60, contou que Cunhal, nos anos 80, quando foi "submetido a uma operação de alto risco", escreveu "algumas cartas" a "várias pessoas" para o caso de não sobreviver", incluindo a ele, José Saramago.
"Felizmente, para todos e para ele, sobreviveu, viveu e trabalhou, e as "cartas foram destruídas" mas Saramago revelou ter tido conhecimento do que o líder histórico do PCP lhe escreveu.
"O camarada Álvaro Cunhal dizia que estava convencido que eu nunca abandonaria o partido. Tinha razão. E aqui estou", afirmou o Nobel da Literatura, ouvido em silêncio e que recebeu uma ruidosa salva de palmas de militantes e amigos que encheram uma sala do Centro Vitória do PCP, em Lisboa.
Nesta homenagem a José Saramago, participou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, inclui a leitura de um excerto do romance "Memorial do Convento". O fadista Carlos do Carmo cantou um fado a partir de um poema do escritor.
O escritor, que há alguns anos chegou a apoiar o PSOE nas eleições em Espanha, apresentou-se, "com orgulho", como um comunista.
E lembrou ter escrito, num dos volumes de "Cadernos de Lanzarote", quando se comentava a hipótese de receber o Nobel, que jamais "abandonaria as suas convicções políticas e ideológicas" para receber o prémio.
"As coisas correram bem: eu não abandonei as minhas convicções e recebi o Prémio Nobel", afirmou.
NS.