José Sócrates apela a jovens trabalhadores para que concluam o 12ºano

O primeiro-ministro, José Sócrates, apelou hoje aos cerca de meio milhão de jovens portugueses que estão a trabalhar mas não possuem o 12º ano de escolaridade para que regressem à escola para concluir os estudos secundários.

Agência LUSA /

"É preciso que regressem aos estudos para concluírem o 12º ano, o país precisa que se qualifiquem", afirmou Sócrates, sustentando que "o aumento das qualificações é a melhor forma de aumentar a riqueza do país".

O primeiro-ministro, que visitou hoje a fábrica de pneus Continental Mabor onde entregou certificados a 27 trabalhadores que concluíram o Programa de Reconhecimento, Validação e Certificações de Competência do 9º ano de escolaridade, revelou que existem actualmente 485 mil portugueses, entre os 18 e os 24 anos, que estão a trabalhar e não possuem o 12º ano completo.

"Com este programa queremos que todos os portugueses que estão a trabalhar e saíram da escola cedo demais tenham uma segunda oportunidade para poderem concluir o 12º ano", salientou.

"Não percam esta oportunidade, é o melhor que podem fazer por vocês, pela vossa empresa e pelo vosso país", frisou Sócrates, no discurso que proferiu na cerimónia, realizada num armazém de pneus.

A reafirmação da importância do Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, integrado na Iniciativa Novas Oportunidades, foi o objectivo da visita de José Sócrates à Continental Mabor, empresa que considerou ser um "exemplo" a seguir pela sua aposta na formação dos trabalhadores.

"As empresas são hoje o que valem os seus colaboradores", afirmou Sócrates, defendendo que a formação profissional deve ser não só uma das principais prioridades das empresas, mas também do país.

Na cerimónia hoje realizada nas instalações da empresa, a Continental Mabor assinou um protocolo com o Instituto de Emprego e Formação Profissional tendo em vista permitir que 762 trabalhadores (52 por cento dos trabalhadores da empresa) possam concluir o 12º ano nos próximos três anos.

"Esta empresa tem assente o seu sucesso na formação dos seus trabalhadores", salientou António Lopes Seabra, presidente do CA da Continental Mabor.

Esta empresa gerou no ano passado um volume de negócios de 440 milhões de euros, com uma produção superior a 14 milhões de pneus, mais de 90 por cento dos quais destinados à exportação.

"O desafio para crescer, evoluir e afirmar-se numa economia global e competitiva é apostar na formação dos trabalhadores", frisou o primeiro-ministro.

Nessa perspectiva, Sócrates salientou que o governo pretende "definir o 12º ano como o patamar mínimo de qualificação para todos os que trabalham".

"A aposta estratégica tem que ser na qualificação das pessoas", defendeu.

Dirigindo-se depois aos 27 trabalhadores da Continental Mabor que hoje receberam os seus certificados, o primeiro-ministro elogiou o esforço que desenvolveram, mas principalmente o facto de "não se terem resignado" com a ideia de que tinham que ficar o resto da vida com as habilitações que tinham ao sair da escola.

Minutos antes, José Sócrates tinham ouvido César Lavado, trabalhador da Continental Mabor que pretende concluir o 12º ano, falar das "dificuldades que os horários do ensino recorrente" apresentam para alguém que trabalha e pretende estudar.

"Agora, finalmente, vou ter uma oportunidade para concluir os estudos", afirmou o trabalhador, numa referência ao programa lançado pelo governo.

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