José Sócrates saiu do Campus da Justiça e regressou às instalações da PSP em Moscavide
Lisboa, 22 nov (Lusa) -- José Sócrates saiu cerca das 22:20 de sábado do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, mas desconhece-se se já foi interrogado.O ex-primeiro-ministro vai passar a segunda noite consecutiva nas instalações do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em Moscavide.
José Sócrates abandonou o TCIC, onde esteve durante mais de cinco horas, numa viatura descaracterizada, no banco de trás, que saiu das garagens do edifício do Campus da Justiça à frente de outro veículo.
O advogado do ex-primeiro-ministro, João Araújo, disse aos jornalistas à porta do TCIC que fará "uma declaração amanhã [domingo], eventualmente", sem esclarecer qualquer questão relacionada com o processo, nem sequer se o interrogatório a José Sócrates já tinha sido iniciado ou não.Sócrates regressa a Moscavide para passar a noite
O ex-primeiro-ministro José Sócrates vai passar a segunda noite consecutiva nas instalações do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP, em Moscavide, disse à Lusa fonte policial.Os restantes três detidos no âmbito do mesmo inquérito, o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o motorista João Perna, vão regressar ao estabelecimento prisional anexo ao edifício da Polícia Judiciária (PJ), onde já passaram a noite passada, mas ainda se encontravam no TCIC cerca das 22h50.
José Sócrates, que foi detido na sexta-feira, quando regressava de Paris, esteve hoje durante mais de cinco horas no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), onde deverá regressar no domingo, para ser interrogado pelo juiz Carlos Alexandre.
Antes de ser conduzido ao TCIC, pelas 16:45, Sócrates esteve a acompanhar buscas realizadas pelas autoridades na sua residência em Lisboa.
Inquérito teve origem em comunicação bancária
Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou as quatro detenções, no âmbito de um inquérito do Ministério Público que corre termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e que investiga "suspeitas dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção", nomeadamente "operações bancárias, movimentos e transferências de dinheiro sem justificação conhecida e legalmente admissível".
A PGR referiu também que o inquérito "teve origem numa comunicação bancária" feita ao DCIAP e é uma "investigação independente de outros inquéritos em curso, como o Monte Branco ou o Furacão, não tendo origem em nenhum destes processos".
Esta é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um antigo primeiro-ministro é detido para interrogatório.
José Sócrates, 57 anos, chefiou o Governo entre 2005 e 2011.