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Jovem confessou ter matado pai à facada e alegou estar embriagado

Jovem confessou ter matado pai à facada e alegou estar embriagado

Vila do Conde, 27 nov (Lusa) -- O jovem de 21 anos acusado de ter matado o pai à facada, em 2011, confessou hoje o crime, alegando que estava "embriagado e muito confuso", mas que não tinha intenção de matar.

Lusa /

Na primeira audiência do julgamento, que está a decorrer em Vila do Conde, Miguel Cadilhe mostrou-se muito perturbado e choroso, ao recordar o que aconteceu naquela noite, a 09 de novembro.

Acusado pelos crimes de homicídio qualificado, furto, incêndio e profanação de cadáver, o arguido reconheceu, no entanto, que não foi a casa do Manuel Cadilhe com intenção de o matar.

Simplesmente, "ia com medo", porque "sabia que ia ouvir um grande raspanete, porque tinha feito coisas que o pai discordava", frisou.

Segundo contou hoje, o pai, empresário de construção civil, tinha com ele cortado relações, depois de este ter "mudado de curso" e de ter adquirido um motociclo sem o seu consentimento.

Aliás, os desentendimentos começaram quando o pai soube que Miguel Cadilhe esteve hospitalizado, após um acidente de mota, confessou ainda, justificando que, depois deste episódio, o progenitor lhe retirou a pensão de alimentos.

Segundo o Ministério Público, Miguel Cadilhe sabia que o pai vinha a Portugal, uma vez que residia em Angola, e "planeou matá-lo, por motivos relacionados com dinheiro", elaborando, "ao pormenor, um plano detalhado" para acabar com a vida do pai.

Uma versão que o arguido desmentiu, explicando que foi falar com pai, depois de um tio o ter incentivado a "fazer as pazes".

Quando chegou a Vila do Conde, "o pai estava no quarto acordado", garantiu ao juiz.

"Tentei explicar-lhe que tinha comprado a mota com dinheiro que tinha ganho a jogar `poker` e que tinha mudado de curso, porque gostava mais de informática, mas ele ficava cada vez mais furioso", relatou.

Depois, Miguel Cadilhe diz ter começado a chorar e, "para não dar parte fraca", desceu ao andar de baixo, onde esteve algum tempo "a beber whisky".

Questionado acerca de quantidade de álcool que tinha ingerido, Miguel Cadilhe disse ter bebido "vários copos".

O arguido confessou que, naquela altura, tinha intenção de vir embora, mas "já não havia metro" para se deslocar ao Porto, onde residia com a mãe, e acabou por ficar em casa do pai a "pensar em coisas passadas" e também na discussão dessa noite.

Quando subiu, sentia-se "eufórico e não pensava em nada", apontou.

Nessa altura, Manuel Cadilhe chamou-o e "quando se apercebeu que estava embriagado", começaram outra vez a discutir, recordou.

"Disse que eu era igual à mãe e que a culpa de tudo era dela" e, naquele momento, diz não se recordar muito bem do que aconteceu, mas, "provavelmente", abeirou-se do pai e este "para se defender, pegou numa faca que estava junto à cama em cima de um prato com fruta" e ter-lha-á mostrado.

Aí, foi à cozinha para ir buscar também uma faca e pouco se recorda do que se passou a seguir.

Só se lembra de estar "sentado junto à cama a chorar com o pai estendido no chão", explicou.

Nessa altura, terá entrado em "pânico e só queria sair dali", tendo decidido "deitar fogo aos tapetes para apagar vestígios" da sua passagem pela casa do pai, confessando que simulou um assalto.

Confirmou ainda que foi de táxi até ao aeroporto, onde trocou os 500 dólares que o pai tinha na carteira e, no dia seguinte, decidiu contar o que tinha feito a um amigo.

Foi ainda ao local de trabalho da mãe para lhe contar o que havia feito e, depois, iria entregar-se às autoridades.

Miguel Cadilhe mostrou-se muito perturbado durante toda a sessão desta manhã e confessou que tinha uma relação "distante e com pouca afinidade" com o pai.

Sublinhou ainda que não era uma pessoa violenta e que "nunca tinha usado a força para nada", mas estava "muito confuso".

O julgamento prossegue durante a tarde de hoje.

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