Jovem de 23 anos acusado de tentar vender dados da NATO na embaixada russa em Lisboa

Jovem de 23 anos acusado de tentar vender dados da NATO na embaixada russa em Lisboa

O caso remonta a 2025, tendo coincidido com a Conferência Inicial de Planeamento na Escola da Base Naval do Alfeite, em Almada. O jovem encontra-se em prisão preventiva.

Carlos Santos Neves - RTP /
Estevoaei via Wikimedia Commons

Um jovem de 23 anos está acusado de tentativa de espionagem, ao procurar vender informações furtadas de equipamentos informáticos de um militar da NATO à Embaixada da Federação Russa em Lisboa, adiantou esta quarta-feira a Procuradoria-Geral da República.

O suspeito, que se encontra em prisão preventiva, terá pretendido capitalizar a realização, de 3 a 7 de fevereiro do ano passado, da Conferência Inicial de Planeamento na Escola da Base Naval do Alfeite, em Almada.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República explica que o evento constituiu o "maior exercício do mundo dedicado à experimentação robótica de sistemas não tripulados - REP (MUS), do ano de 2025".Participaram na conferência perto três centenas de pessoas, a maioria militares.

O arguido, "que fazia da prática de furtos modo de vida", terá decidido então hospedar-se no mesmo hotel onde pernoitavam os militares da Aliança Atlântica envolvidos na Conferência Inicial.

Na unidade hoteleira, prossegue o Ministério Público, o jovem "apropriou-se de um computador e de um iPad" da NATO e da Marinha da Suécia atribuídos a um operacional da Aliança Atlântica.

"Convicto de que tinha matérias secretas e classificadas em seu poder, tentou aceder ao respetivo conteúdo e copiá-lo e pretendeu colaborar com a Federação Russa", acusa a Procuradoria-Geral.Em seguida, o jovem ter-se-á deslocado à embaixada russa em Lisboa para tentar vender os dados recolhidos. Sem ter sido bem-sucedido.

"Mais ficou indiciado que o principal arguido fazia uso de documentos de terceiros para se identificar".

O arguido chegou a dizer-se disposto a colaborar com a investigação, referindo pertencer, com outras 11 pessoas, incluindo um suposto inspetor da PJ, a uma organização criminosa de espionagem.

"No entanto, de acordo com os indícios probatórios reunidos no inquérito, essa versão factual não tinha qualquer correspondência com a realidade e não passou de um mero artifício usado pelo arguido com o objetivo de tirar o foco da investigação de si próprio".

O jovem está também acusado, desde o passado dia 12 de fevereiro, de três crimes de furto qualificado, dois crimes de uso de documento de identificação ou de viagem alheio, um crime de falsas declarações, um crime de pornografia de menores, dois crimes de condução sem carta e outros 11 de denúncia caluniosa.

Além da prisão preventiva, o principal suspeito está sujeito a proibição de contactos e o processo conta com outros dois arguidos acusados de furto qualificado e sujeitos a termo de identidade e residência.

"O Ministério Público dirigiu a investigação coadjuvado pela Polícia Judiciária – UNCT", remata o comunicado.

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