Jovem de Montalegre lança `kit´ para cultivar cogumelos comestíveis em casa
Montalegre, 30 out (Lusa) -- Um jovem empreendedor de 35 anos, residente em Montalegre, criou um `kit´ para cultivar cogumelos comestíveis em casa que dá, pelo menos, três colheitas em espaços de 15 a 20 dias.
O `kit´ criado por José Gonçalves, chamado de "Nyscarus", é composto por uma caixa de papelão que tem, no seu interior, borra de café onde se desenvolvem os fungos e um borrifador para regar.
"O Nyscarus é uma pequena horta de cogumelos que o cliente compra, abre, rega, colhe, cozinha e come, tudo sem sair de casa", disse hoje o jovem à agência Lusa. E, explicou, "basta regar duas vezes por dia para, na primeira ou segunda semana, os cogumelos começarem a crescer".
Depois de colhidos, avançou, os cogumelos, sem aditivos nem conservantes, podem ser cozinhados frescos ou guardados no frigorífico por alguns dias.
O `kit´ está disponível em três tamanhos (S - 600 gramas, M - um quilo e L - um quilo e meio) e tem um preço médio de sete euros.
João Gonçalves revelou que a ideia surgiu depois de ter feito um curso de jovens empresários agrícolas e ações de formação sobre produtos regionais e cultivo de cogumelos em palha e borra de café.
"Os meus pais são proprietários de um café e, sendo a borra de café a matéria orgânica ideal para o desenvolvimento da semente dos cogumelos, não pensei duas vezes e comecei a aproveita-la", adiantou.
Dado ser necessário uma grande quantidade de borra de café, José Gonçalves, além do estabelecimento dos pais, percorre mais cafés da vila de Montalegre, transformando o que era desperdício num alimento de alto valor nutritivo.
O produto, lançado no passado mês de agosto, está ainda em fase experimental sendo, para já, vendido a amigos, na rede social Facebook, no Ecomuseu do Barroso, em Montalegre, e em encontros micológicos.
"As pessoas adoram o produto, acham divertido ver os cogumelos crescerem na sua cozinha e poder consumi-los o ano inteiro", disse.
Neste momento, afirmou o empreendedor, tem pedidos pendentes para revenda aos quais não consegue dar resposta porque trabalha sozinho no projeto e tem de o conciliar com a sua atividade profissional.
A trabalhar no Ecomuseu do Barroso, José Gonçalves classificou esta atividade como um "extra" no orçamento mensal.
O objetivo, frisou, é colocar o produto no mercado, sobretudo na região norte do país, produzir mais variedades de cogumelos, além do que desenvolve agora - "Pleurotus Ostreatus" -, vulgarmente conhecido por "repolgas".
O jovem tenciona ainda construir um armazém com uma câmara de incubação porque, atualmente, o espaço onde trabalha é a cozinha dos avós.
José Gonçalves reivindicou mais apoio por parte das autoridades na área do empreendedorismo para ajudar os jovens a constituir empresas, elaborar projetos e poder viver em Montalegre.