Jovem português acusado de instigar massacres no Brasil começa a ser julgado na Feira

Jovem português acusado de instigar massacres no Brasil começa a ser julgado na Feira

Um jovem acusado de ter instigado massacres em escolas no Brasil, incluindo um em que morreu uma adolescente, vai começar a ser julgado hoje no Tribunal da Feira, no distrito de Aveiro.

Lusa /
Mário Cruz - Lusa

O arguido, que está em prisão preventiva desde que foi detido em maio de 2024, está acusado, na modalidade de instigação, de um crime de homicídio qualificado, seis tentativas de homicídio e três de morte e maus tratos de animal de companhia.

Responde também por um crime de instigação pública a um crime, um de apologia pública de um crime, um de associação criminosa, 224 de pornografia de menores, incluindo 18 agravados, um de incitamento ou ajuda ao suicídio agravado, quatro de coação agravada e um de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

O jovem é suspeito de liderar um grupo na rede social Discord, no qual incitava adolescentes à prática, com transmissão em direto, de atos violentos contra si próprios, outras pessoas e animais de estimação.

Entre estes, está a instigação de quatro massacres em escolas no Brasil, incluindo o que ficou conhecido como o Massacre de Sapopemba, em São Paulo, no qual um adolescente de 16 anos matou a tiro uma colega de 17 e feriu outros três estudantes, em 23 de outubro de 2023.

Os restantes três foram travados pelas autoridades antes de acontecerem e os seus eventuais autores teriam 12, 13 e 14 anos.

Segundo o Ministério Público, o jovem residente em Santa Maria da Feira terá ainda, no mesmo grupo, planeado o homicídio de um sem-abrigo em São Paulo, em fevereiro de 2024, e incentivado e permitido a transmissão em direto de maus tratos a animais, bem como a automutilações dos adolescentes.

O objetivo dos autores dos atos seria obterem reconhecimento do jovem e subirem na hierarquia da comunidade `online`.

Algumas menores terão sido coagidas a praticar os atos depois de terem sido ludibriadas a enviarem fotografias íntimas.

O grupo, com presença noutras plataformas, terá igualmente servido para o suspeito partilhar pornografia de menores e difundir conteúdos de ódio contra pessoas homossexuais e negras, tendo chegado a partilhar imagens suas com uma farda nazi e uma caçadeira.

 

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