Jovens diabéticos sobem montanha mais alta de África
Um grupo que inclui sete jovens diabéticos vai subir este mês quase seis quilómetros até ao pico mais alto de África, numa expedição que pretende acabar com a ideia de que a diabetes é incapacitante.
Com partida marcada para 15 de Agosto, a escalada do Kilimanjaro, situado entre o Quénia e a Tanzânia, é organizada pela Associação dos Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP) e só se distingue dos outros grupos de alpinistas porque levará na bagagem suplementos reforçados de açúcar e insulina e os aparelhos de medição de glicemia.
Quando atingirem os 5892 metros de altitude, no dia 20 de Agosto, os quinze alpinistas do grupo verão recompensados seis meses de treino que consistiu em corrida, natação e remo.
Sílvia Saraiva, a directora da AJDP, fundada em 1996, disse à hoje Agência Lusa que o objectivo da expedição é mostrar que "se um diabético faz isto, pode fazer outras coisas" e concentrar-se nas pessoas que convivem com diabéticos para lhes mostrar que a doença não é incapacitante.
"Ainda há diabéticos que têm que omitir a doença quando concorrem a um emprego, porque as pessoas pensam que o seu desempenho não vai ser tão bom", afirmou.
Os sete jovens diabéticos, com idades entre os 17 e os 30 anos, foram seleccionados entre os sócios mais aptos e vão enfrentar uma escalada que "tecnicamente não é muito difícil", mas que exige bastante esforço.
A maior parte do grupo é já repetente, uma vez que participou na escalada organizada pela associação ao Monte Branco, o pico mais alto da Europa, nos Alpes, na qual participou também o alpinista João Garcia.
É o caso de Paulo Ponte, de 30 anos, que entrou no alpinismo através da diabetes, precisamente na expedição da AJDP ao Monte Branco, e já repetiu a experiência por conta própria no Nepal.
Descobrir aos 13 anos que era diabético foi para Paulo Ponte "um choque muito grande", porque achou que "a doença era incapacitante".
Depois, foi-se apercebendo que ser diabético implica apenas "mais meia dúzia de coisas que têm de se fazer no dia-a-dia", como o controlo da glicemia e a tomada de insulina.
"No princípio, só pensava que não queria ser diabético, hoje só penso que quero viver e ter a minha vida", afirmou.
Mesmo no cume do Kilimanjaro, que alcançará acompanhado pela mulher, também diabética, a doença não terá mais importância do que tem no dia-a-dia, garante.
Segundo dados da AJDP, há em Portugal 200 mil diabéticos por diagnosticar e 500 mil diabéticos diagnosticados, 90 por cento dos quais não dependem de insulina.
A diabetes é uma doença que se caracteriza pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue, devido a deficiente utilização pelo corpo da glucose, a sua principal fonte de energia, provocada por insuficiente produção de insulina.
APN.
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