Jovens identificados no Marquês de Pombal por contestar cartaz PNR

Um grupo de jovens foi hoje identificado pela PSP depois de se ter concentrado junto ao cartaz do Partido Nacional Renovador (PNR), no Marquês de Pombal, com uma caixa de tomates e cartazes contra ideias xenófobas e racistas.

Agência LUSA /

"Propaganda xenófoba não é discutir ideias, é um monólogo e, como todos os monólogos, uma opressão" e "As ideias discutem-se, o preconceito não" eram algumas das mensagens que se podiam ler nos cartazes.

Este incidente ocorreu no Marquês de Pombal na altura em que se concentravam no local os participantes no desfile comemorativo do 33/o aniversário do 25 de Abril, que percorrerá a Avenida da Liberdade.

Um dos jovens identificados pela polícia disse à agência Lusa que o objectivo da iniciativa não era atirar os tomates contra o cartaz.

"Trouxemos uma caixa de tomates podres alusiva a uma democracia com 33 anos e que não é madura, mas sim apodrecida", afirmou.

No entanto, de acordo com o mesmo jovem, as pessoas que passavam no local agarravam nos tomates e atiravam-nos contra o cartaz.

O jovem disse ainda que o objectivo dos cartazes era "contestar ideias de xenofobia e de racismo, que estão a surgir na sociedade portuguesa".

"Não é com a sociedade a ficar calada, nem a olhar para o lado que o problema desaparece", acrescentou.

Elementos da polícia agarraram alguns dos jovens e identificram-nos, o que provocou grande indignação junto dos participantes no desfile do 25 de Abril, que começaram a gritar "25 de Abril sempre" e "fascismo nunca mais".

Criticaram também a polícia pela atitude de protecção de um cartaz e por terem identificado os jovens que o contestavam.

"Vocês protegem é os patrões e os fascistas" e "é uma vergonha" foram alguns protestos ouvidos no local.

Enquanto o desfile não começa, seis polícias estão concentrados à volta do cartaz do PNR, contra o qual estão a ser lançados ovos, desconhecendo-se de onde surgem.

Os cartazes dos jovens continuam no chão junto do cartaz do PNR.

A agência Lusa contactou com o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, que disse não ter ainda conhecimento da situação.

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