Jovens pelo clima: "Não paramos de lutar, na primavera voltamos a ocupar"

por Joana Raposo Santos - RTP
Apesar de acabarem, por agora, com as ocupações, os membros da Greve Climática Estudantil avisam que vão voltar na primavera. Pedro Nunes - Reuters

Os estudantes que ocuparam várias escolas de Lisboa nos últimos dias anunciaram o fim das ações, mas prometeram voltar às ocupações na primavera. A decisão chega na véspera da reunião de seis representantes da Greve Climática Estudantil com o ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva. Em simultâneo, decorrerá no largo Camões uma concentração de protesto.

“Hoje, a ocupação do liceu Camões encerrou a escola para gritar alto e bom som que a normalidade não pode continuar. Com esta força, damos fim a esta vaga de ocupações”, lê-se num comunicado dos alunos.

Na mesma nota, os ativistas insistem nas reivindicações “claras e cuja necessidade é indiscutível: fim aos combustíveis fósseis até 2030 e fim aos fósseis no Governo, a começar pela demissão imediata do ministro da Economia e do Mar, António Costa Silva”.

Os alunos acreditam que as ocupações foram “um sucesso” e consideram que marcam uma nova etapa no movimento estudantil e no movimento por justiça climática, com os jovens a “radicalizar-se e a escalar as suas táticas à medida que a crise climática escala também”.

Apesar de acabarem, por agora, com as ocupações, os membros da Greve Climática Estudantil avisam que vão voltar na primavera. “Vamos continuar a lutar porque não temos outra alternativa sem ser vencer a luta pelas nossas vidas”, dizem os alunos.

“Embora não tenhamos vencido as nossas reivindicações ainda, decidimos dar hoje fim a esta vaga de ocupação, unidas no Liceu Camões, para tirarmos tempo para cuidarmos umas das outras e nos começarmos já a preparar para a próxima vaga de ocupações, mais fortes e mais capazes na primavera de 2023”.

E justificam a decisão de voltar a ocupar no próximo ano: “o nosso Governo, que deveria salvaguardar a nossa existência, já provou que não está à altura de enfrentar a maior crise das nossas vidas e que o único interesse que defende é o do lucro”.

Os alunos lembram, no comunicado, que convidaram o ministro António Costa Silva a ouvir uma palestra sobre a crise climática na ocupação do liceu Camões e que este recusou, “quando claramente esta fazia-lhe falta”.

“Ontem, ao afirmar que era um homem de diálogo, veio também dizer em público apenas ser a favor de renováveis quando avidamente defende a exploração e aumento da importação de gás, sendo este um combustível tão fóssil como o petróleo”.

Os jovens avançam ainda que convocaram uma concentração de protesto para esta terça-feira às 16h00 no largo Camões, enquanto decorre o encontro entre o movimento Fim ao Fóssil e António Costa Silva.
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