Jovens portugueses com "sim" definitivo a experiências em gravidade zero
As duas equipas de jovens portugueses que participam esta semana num programa europeu de experiências científicas em ausência de gravidade receberam hoje os fatos de voo, após os seus projectos serem testados pelos técnicos da Agência Espacial Europeia.
A entrega dos fatos azuis, que identificam os jovens como membros do "Zero G Team", culminou um processo de cinco meses de intenso trabalho e permite aos jovens participar, quarta e quinta-feira, nos voos parabólicos efectuados por um avião A300 da Agência Espacial Europeia (ESA).
Os aparelhos necessários para as experiências estão já instalados no interior do avião, tendo sido aí que foram alvo hoje do teste final que garante aos alunos portugueses o acesso definitivo aos voos.
Para alcançar situações de ausência de gravidade, o A300, dotado de turbinas especiais de dimensão muito superior ao normal, irá voar rumo à estratosfera num ângulo superior a 45 graus, levando os seus passageiros a sofrer uma força gravitacional 1,8 vezes superior ao normal.
Após 20 segundos de subida vertiginosa, o aparelho cai em queda livre durante um período igual, provocando no seu interior uma situação de total ausência de gravidade.
Ao longo de cada voo, que durará até três horas, o avião realizará um total de 30 parábolas - ciclos de subidas e quedas livres - de modo a permitir aos jovens efectuar as experiências projectadas nos últimos cinco meses.
O programa da ESA possibilita anualmente aos jovens europeus o acesso a voos parabólicos de modo a que possam efectuar experiências científicas na única situação dentro da atmosfera em que é possível atingir a ausência de gravidade.
As duas equipas de jovens estudantes, ambas do Departamento de Física da Faculdade de Ciências do Porto, vão testar em "gravidade zero" o modo como vibram gotas de mercúrio sujeitas a um estímulo sonoro e a forma como se formam bolhas no processo de evaporação de um líquido.
Os oito alunos envolvidos viram as suas candidaturas aprovadas em finais de Março, tendo tido desde então de concretizar aquilo que não passava de uma mera proposta teórica.
Cinco meses depois, já em Bordéus, onde os voos vão realizar-se, os jovens levaram esta manhã a cabo os últimos ajustes aos seus equipamentos de teste, seguindo-se de imediato uma inspecção por técnicos da ESA, que determinaram que ambas as experiências cumpriam os requisitos científicos e de segurança necessários para participar no programa.
Os equipamentos, que incluem tecnologia de alta precisão, estão já instalados a bordo do A300 "Zero G", cujo interior se assemelha a um ginásio voador, com chão, paredes e tecto cobertos por um material que se parece com um colchão gigante.
A aprovação dos projectos permitiu aos jovens receber os fatos azuis de "tipo astronauta" usados nas experiências, com o símbolo do projecto europeu de voos parabólicos colocado ao peito e a expressão "Zero G Team" nas costas.
As duas equipas do Porto integram o grupo de 30 projectos seleccionados pela ESA entre as cerca de 140 candidaturas apresentadas por alunos de toda a Europa.
Os cerca de 120 jovens envolvidos nas 30 equipas seleccionadas trabalham desde a última semana numa ala do complexo aeroportuário de Bordéus, próximo das instalações onde são fabricados os aviões militares "Mirage".