JSD usa camelo e lança outdoors para mostrar indignação com Mário Lino

A JSD de Setúbal utilizou hoje um camelo verdadeiro para lançar uma campanha de "outdoors" que pretende dar conta da "indignação e revolta" da população em relação às declarações do ministro das Obras Públicas, que classificou a margem sul como "um deserto".

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A iniciativa da JSD surgiu como resposta às declarações do ministro das Obras Públicas, Mário Lino, na semana passada, em que o governante afastou a hipótese de se construir o novo aeroporto a sul do Tejo, argumentando que a margem sul era um deserto - afirmação que corrigiu posteriormente dizendo que se referia apenas ao Poceirão, Faiais e Rio Frio, três zonas apontadas como possíveis alternativas à Ota.

Durante um debate promovido pela Ordem dos Engenheiros, Mário Lino afirmou que "fazer um aeroporto na margem sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas".

Na conferência de imprensa realizada na rotunda Centro-Sul, em Almada, na presença de um camelo emprestado por um domador do circo Atlas, o presidente da Comissão Política Distrital da JSD de Setúbal, Nuno Matias, anunciou que se trata de uma iniciativa que prevê a instalação de seis `outdoors` em diversos locais da margem sul, mas garantiu que a juventude social-democrata "não pretende ofender nem chamar camelo a ninguém".

"Esta iniciativa é um grito de revolta e de indignação face às declarações do ministro das Obras Públicas, que constituem uma humilhação e uma falta de respeito para centenas de milhares de pessoas", disse Nuno Matias.

"Não vivemos na pré-história e a margem sul não é propriamente um deserto. Contribuímos para o crescimento e para o desenvolvimento económico do país e não podemos ser tratados como portugueses de segunda", acrescentou Nuno Matias, que falava aos jornalistas junto ao dromedário "Sampson", o camelo cedido pelo domador do circo Atlas para a conferência de imprensa da JSD.

O presidente da Comissão Política Nacional da JSD, Pedro Rodrigues, que se associou à iniciativa da distrital de Setúbal, acusou o governante de ter proferido declarações "inadmissíveis" e "irresponsáveis" ao longo dos últimos meses.

"Estas declarações não são caso único - até com o primeiro-ministro brincou - e eu admirei-me como é que o primeiro-ministro não o demitiu, à semelhança do que foi feito com o professor Charrua, por ter brincado com a licenciatura do senhor primeiro-ministro", acrescentou", disse o líder da JSD.

"O deserto que o ministro das Obras Públicas devia ter referido é o deserto de politicas que este governo tem demonstrado ter: é um deserto de políticas em matéria de habitação jovem, educação, ensino superior e emprego, e não vemos o governo preocupado em encontrar politicas que resolvam estes problemas e em tirar-nos deste deserto em que nos enterraram", concluiu Pedro Rodrigues.

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