Juíz luso-americano apela a emigrantes a requererem cidadania EUA

O juiz luso-americano, Phillip Rapoza, apelou hoje aos emigrantes portugueses que vivem nos Estados Unidos a requererem a cidadania norte-americana, para aumentar "a voz" da comunidade lusa junto das autoridades daquele país.

Agência LUSA /

O actual presidente do Tribunal Supremo de Recurso do Estado de Massachusetts adiantou à Agência Lusa que, sem a cidadania norte- americana, a comunidade portuguesa "não pode votar e, sem votos, não tem voz" para participar nas decisões do país.

Neto de emigrantes portugueses oriundos da ilha de São Miguel, nos Açores, Phillip Rapoza, 57 anos, conta já com um vasto currículo profissional nos Estados Unidos da América e no estrangeiro, onde liderou o Tribunal Internacional da ONU em Timor-Leste, entre 2002 e 2005.

Apesar de existirem "alguns receios" junto da comunidade portuguesa, o magistrado referiu que o processo para aceder à cidadania norte-americana é relativamente simples, bastando preencher os impressos, demonstrar conhecimentos básicos de inglês escrito e falado e da história do país.

"Os portugueses agora votam mais e há um grande interesse em participar civicamente, mas tradicionalmente não era assim", afirmou Phillip Rapoza, acrescentando que a comunidade luso-americana está a atravessar um "período de mudança".

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Massachusetts, é cada vez maior a participação da comunidade portuguesa na vida política norte-americana, indicou Phillip Rapoza, um dado que considerou ser sintomático das transformações em curso nas novas gerações.

Segundo disse, será mais fácil aos filhos dos imigrantes afirmarem-se civicamente, devido ao seu estatuto de cidadãos norte- americanos, com formação académica e adopção plena do estilo de vida do país.

"Eu fui, por exemplo, o primeiro membro da minha família que entrou para a faculdade", afirmou o Phillip Rapoza, que é um dos dois juízes portugueses no total dos 450 magistrados que trabalham no estado de Massachusetts.

O luso-descendente, recentemente homenageado na terra natal dos avós, será dentro de três anos o único magistrado descendente de portugueses em Massachusetts, devido à reforma do outro colega.

A confirmar-se este cenário, Phillip Rapoza considerou ser "uma vergonha" para os portugueses a viver neste estado americano, dado que outras comunidades menos expressivas na zona, mas com grande intervenção cívica, estão mais representadas ao nível judicial.

O juiz, que disse ser "mais rico" enquanto ser humano por pertencer a dois países, destacou, ainda, que a lei norte-americana não permite a deportação de cidadãos com dupla nacionalidade, um dado que entende ser mais um motivo para que todos os emigrantes lusos tratem da dupla nacionalidade.

Phillip Rapoza adiantou, ainda, desconhecer dados oficiais sobre o número de deportados luso-descendentes nos últimos tempos, dado que esta matéria compete à justiça federal e não estadual, onde trabalha.

O magistrado, que fundou em 1997 um programa de intercâmbio jurídico entre os Estados Unidos e Portugal, recebeu em 2002 do Presidente da República Jorge Sampaio, o grau de Comandante da Ordem do Infante D. Henrique, pelo seu esforço na promoção e estreitamento das relações entre os sistemas judiciais dos dois países.

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