Julgamento dos dois polícias acusados de tortura decorre à porta fechada
O julgamento dos dois polícias da esquadra do Rato, em Lisboa, que estão acusados de crimes de tortura e violação decorre esta sexta-feira à porta fechada. Os polícias começaram a prestar declarações.
À entrada do tribunal de Lisboa, a advogada de um dos polícias que está em prisão preventiva, Filipa Duarte Gonçalves, adiantou aos jornalistas que as sessões vão decorrer sem público.
À saída do tribunal, a advogado de um dos arguidos, Filipa Duarte Gonçalves, adiantou que "as declarações dos arguidos ainda não terminaram", garantindo que "estão todos a prestar declarações no sentido de apurar a verdade material e colaborar com o tribunal".O início do julgamento arrancou às 09h30 e, segundo a acusação do Ministério Público, entre julho de 2024 e março de 2025, os dois polícias da esquadra do Rato terão agredido com "socos e chapadas e coronhadas na cabeça pessoas que tinham detido, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas".
Em alguns casos, terão sodomizado ou tentado sodomizar com um objeto alguns dos homens detidos.
O processo chegou a ir a fase de instrução, para que o tribunal de instrução avaliasse se existiam indícios suficientes para julgamento, tendo a juíza considerado que a acusação tem "indícios suficientes" de que os polícias cometeram os crimes de que estão acusados pelo Ministério Público e que existe uma "séria probabilidade" de serem condenados no final do julgamento.
O principal arguido, de 22 anos e em prisão preventiva desde que foi detido em julho de 2025, está acusado de 29 crimes: seis de tortura, cinco de violação - quatro tentativas e uma consumada -, sete de abuso de poder, três de ofensas à integridade física qualificada, dois de falsificação de documento, um de furto qualificado, um de violação de correspondência, dois de roubo e dois de detenção de arma proibida.
O outro polícia, de 26 anos, também detido em julho de 2025, está acusado de sete crimes - dois de tortura, três de abuso de poder, um de ofensa à integridade física e outro de detenção de arma proibida - e encontra-se atualmente em prisão domiciliária.
As vítimas eram sobretudo toxicodependentes, pessoas que cometeram pequenos delitos, muitos deles estrangeiros e em situação irregular em Portugal, ou em situação de sem-abrigo, refere o Ministério Público na acusação, acrescentando que algumas das imagens dos abusos foram partilhadas em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentes da PSP.