Laboratório de Coimbra obrigado a recolha de fundos para compra de equipamentos

O Laboratório de Bioquímica Genética (LBG) da Universidade de Coimbra (UC) teve de recorrer a uma plataforma digital de recolha de fundos ("crowdfunding") para tentar comprar equipamento de investigação, disse hoje fonte da organização.

Lusa /

Face às reduções "drásticas" de financiamento do laboratório que está associado ao Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC, o LGB ficou sem "possibilidade de financiamento para adquirir equipamentos de investigação", explicou à agência Lusa a diretora do LGB, Manuela Grazina.

A também fundadora do laboratório, que funciona desde 1995, decidiu então lançar uma campanha para comprar o aparelho Qubit 2.0, procurando dois mil euros de financiamento através de "crowdfunding", até 15 de janeiro.

O aparelho permite avaliar "a qualidade e integridade do material genético", para depois poder usar "novas tecnologias que permitem analisar os genomas de forma mais abrangente e aprofundada", ajudando na "procura da causa de doenças", disse à Lusa Manuela Grazina.

Com este aparelho, o LBG, que está especializado na investigação da causa e cura de doenças raras, poderia utilizar a técnica "em qualquer doença", garantindo "mais receita própria", salientou.

Até ao momento, o laboratório já angariou mais de 900 euros de cerca de 40 apoiantes, sendo possível participar na campanha no sítio ppl.com.pt/pt/causas/lbg.

Manuela Grazina optou por começar com este aparelho por lhe estarem associados "custos menos onerosos", do que outros que o laboratório necessita, mas que custam cerca de 50 mil euros.

"Como isto [o `crowdfunding`] não é prática habitual em Portugal em pedidos para ciência e diagnóstico, optámos por começar com algo menos ambicioso, para perceber se podemos recorrer a esta via para angariar fundos para garantir o serviço que prestamos aos hospitais", frisou.

A diretora do serviço, que assume a função "a custo zero", alertou ainda que a própria continuidade do LBG "está em risco".

Todavia, Manuela Grazina garantiu que "não vai baixar os braços", para que as pessoas "com doenças raras possam ter a possibilidade de conhecer a causa das suas doenças, porque se não se encontrar a causa não se poderá encontrar o tratamento".

Uma das possibilidades poderá ser a procura de apoios de empresas ou da inclusão de um mecenas no LBG, avançou.

O presidente do CNC, João Ramalho Santos, afirmou que a redução do financiamento deve-se "sobretudo à falta de certo tipo de pedidos de análise por parte dos hospitais", levando a que os serviços prestados pelo laboratório não cobrem os seus custos de funcionamento.

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