Laboratórios produtores de soro fisiológico investigam risco de contaminação microbiológica
Os dois laboratórios produtores de soro fisiológico retirado do mercado por ordem do Infarmed, anunciaram hoje que estão a investigar o que terá contribuído para os resultados das análises que detectaram "risco de contaminação microbiológica" naquele produtos.
O Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento - Infarmed ordenou sexta-feira a suspensão imediata da venda de todos os lotes de soro fisiológico para lavagem de fossas nasais das marcas Modelo, Continente, NaTerra, Rio Bravo, CNR, Hidro, GSL, Stéri-Santé, AGA, Pingo Doce e Eloos.
Os responsáveis da GSL - Produtos Químicos e Farmacêuticos e AGA - Álcool e Géneros Alimentares, produtores daquelas marcas de soro fisiológico, não avançam ainda com uma data para o regresso à comercialização daquele produto, o que acontecerá depois de comunicarem ao Infarmed a eliminação dos problemas que levaram a esta suspensão.
O soro "à saída do nosso laboratório estava correcto, todas as análises o confirmam. Até hoje não temos conhecimento de qualquer defeito do produto ou qualquer infecção e já há vários anos que estamos no mercado", disse à agência Lusa Raul Cabrita, director da AGA, explicando que o Infarmed recolheu "numa análise de rotina", em Outubro de 2006, duas embalagens de dois lotes de Agosto daquele ano.
A 07 de Fevereiro, precisou, o Infarmed comunicou à empresa a existência do risco de contaminação com microorganismos.
"Decidimos retirar de imediato do mercado o produto daquele lote e de outros, para investigar e perceber o que está na base dos resultados da análise do Infarmed", disse Raul Cabrita.
Para o director da AGA - empresa que comercializa embalagens com capacidade entre os 20 e os 500 mililitros -, tendo decorrido cerca de cinco meses entre a produção do soro e os resultados das análises do Instituto da Farmácia e do Medicamento, interessa saber "o que poderá ter acontecido ao soro fisiológico nesse período de tempo".
"É um produto com grande rotatividade. Realisticamente o lote analisado já não está no mercado. Quando a investigação estiver concluída já teremos alguma noção. Eventualmente, vamos ter de alterar equipamento, mas por enquanto é cedo para dizer", adiantou.
Por seu turno, ouvido pela Lusa, Sérgio Leandro, da GSL, afirmou que em causa está "a maneira como o soro é produzido".
"Não é o soro em si nem as embalagens. Estamos a ver o que se passou no processo de fabrico. Devemos ter de alterar a condutividade da água (quantidade de sólidos dissolvidos), que é ligeiramente superior ao permitido", esclareceu.
Para normalizar a situação, a GSL admite montar uma nova linha de tratamento de água.
Sérgio Leandro frisou que a determinação do Infarmed surgiu como uma "medida preventiva a longo prazo", garantindo não ter existido qualquer infecção com o soro fisiológico da GSL, empresa constituída em 1987 e que comercializa embalagens de 100 mililitros.
"Não há perigo nenhum para a saúde pública, não é verdade que o soro provoque infecção, como certas notícias bombásticas querem fazer crer. Temos feito análises e contra-análises e o soro está em perfeitas condições", afirmou.
Os responsáveis das duas empresas afirmaram não dispor, de momento, de dados sobre o número de embalagens e quantidades de soro recolhidas.
Tanto a AGA como a GSL admitem que a situação poderá transmitir uma imagem negativa junto dos clientes, embora esperem que tal não venha a acontecer.
"Trará sempre uma baixa nos negócios, por que vamos estar um tempo sem vendas. Mas já trabalhamos com os nossos clientes há muitos anos", frisou o director da AGA, estabelecida no mercado desde 1966.
A reportagem da Agência Lusa visitou pelo país diversas superfícies que vendem as marcas retiradas pelo Infarmed, não tendo localizado qualquer soro das marcas cuja comercialização foi interdita.
Apenas o soro da marca Continente, comercializado em doses individuais, está à venda num hipermercado de Viseu, no Modelo de Castelo Branco e na loja online da empresa, constatou a Lusa.
No entanto, este produto é fornecido por um laboratório francês, que não consta da lista referenciada pelo Infarmed.
"O soro fisiológico que está a venda nas lojas é embalado em unidoses, de 5 mililitros cada. Os produtos da marca Continente/Modelo que foram retirados são os frascos de 60 mililitros. Não existe nenhuma proibição de comercialização das doses individuais de soro fisiológico, uma vez que o fornecedor não está referenciado pelo Infarmed", explicou fonte do Modelo/Continente.