Lancha-hotel no Tejo. PJ assume "problemas de segurança" com volume grande de tráfico

Lancha-hotel no Tejo. PJ assume "problemas de segurança" com volume grande de tráfico

Em entrevista à RTP, João Oliveira, diretor da Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária garante que as autoridades têm os meios legais suficientes para manter a segurança, mas admite "preocupação".

RTP /
O diretor da Unidade de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária admite que Portugal "é uma porta de entrada" da cocaína proveniente da América do Sul. Em entrevista à RTP, João Oliveira assume que o país pode vir "a enfrentar problemas de segurança com o atual volume muito grande de tráfico".

O responsável afirma que a produção da droga está a aumentar e há cada vez mais produto estupefaciente "em circulação". No dia em que a Polícia Judiciária apreendeu mais uma lancha rápida, à entrada da barra do Estuário do Tejo, e que levou à detenção de 11 pessoas, o diretor da unidade de combate ao tráfico de droga considera que as autoridades têm meios legais "suficientes e bastantes" para o cumprimento da função.

"Associado ao fenómeno do grande tráfico internacional de estupefacientes, sobretudo da cocaína, estão grandes organizações criminosas que não se ficam só pelo tráfico de droga. Têm conexões com outras áreas criminais e inclusivamente o turismo", revela João Oliveira, assumindo que devemos "estar atentos e preocupados porque, no limite, poderemos ter alguns problemas de segurança com este volume muito grande de tráfico de cocaína".

"O grande objetivo destas organizações, o seu core, é o financeiro. Eles querem ganhar dinheiro. Não é por em causa a estabilidade do país. É óbvio que associado às questões do tráfico estão também outras áreas do crime, nomeadamente, do crime violento. Neste aspeto, temos algo que nos preocupa a nós e a outros países da Europa, que tem que ver com processos de ajustes de contas, conflitos entre elementos de estruturas criminosas", alerta.
A primeira "Lancha-hotel" em Portugal
Sobre a operação que permitiu apreender uma lancha no Tejo, João Oliveira explica que foi "tomada a decisão de natureza preventiva que fazia todo o sentido".

"Quando foi detetada esta embarcação, tinha a bordo um conjunto muito expressivo de indivíduos. Aliás, é a primeira vez no país que nós nos deparamos com uma lancha com tão elevada quantidade elementos lá dentro. Tem a designação de lancha-hotel e foi a primeira vez que é detetada em Portugal", disse.

Os 11 detidos vão ser presentes a juiz para o primeiro interrogatório.
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