Legalização do aborto cria direito contra a vida
O cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, defendeu que a legalização do aborto "cria um direito a um atentado contra a vida" e contribui para o aumento da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).
Questionado pela jornalista Judite de Sousa, no programa "Grande Entrevist a", da RTP 1, sobre a despenalização da IGV até às 10 semanas, que será referend ada a 11 de Fevereiro, o cardeal-patriarca alertou para o risco de ser instituíd a "uma lei que cria um direito a um atentado contra a vida".
D. José Policarpo sustentou, citando estudos, que a "legalização não acaba com o aborto clandestino e aumentou exponencialmente o número de abortos".
Referiu que quer o "não", quer o "sim" ganhem no referendo com uma percent agem de votantes não vinculativa, a actual lei pode ser alterada.
D. José Policarpo afirmou que, se a lei for alterada, a Igreja se empenhar á "a sério para que as mulheres não tenham que recorrer ao aborto". Sem responder claramente se o "não" vai vencer no referendo, o cardeal-pat riarca mostrou-se convicto de que o "valor ético da vida vai pesar na decisão", considerando a juventude como um importante sector do eleitorado.
Questionado por Judite de Sousa sobre a forma como está a decorrer a campa nha do referendo, D. José Policarpo afirmou que "gostaria que fosse mais serena e calma".
"Corremos o risco de não ajudar e aumentar a confusão", advogou.
O cardeal-patriarca de Lisboa rejeitou a insinuação de que as missas são l ocais de campanha contra a despenalização do aborto.
"Não confundir a explicação da doutrina da Igreja com campanha", sublinhou , embora reconhecendo, sem precisar, que "algumas pessoas não consigam" fazer es sa distinção.
Questionado sobre a associação do aborto ao terrorismo efectuada pelo Pap a Bento XVI, D. José Policarpo respondeu que o Sumo Pontífice limitou-se a defen der, na homilia do Dia Mundial da Paz, a IVG "como uma entre muitas outras viola ções da vida".
O cardeal-patriarca de Lisboa, considerou, no entanto, "menos feliz e frut o do calor" da campanha a comparação do aborto à execução do ex-ditador iraquian o Saddam Hussein feita, em declarações à Lusa, pelo bispo de Bragança, D. Antóni o Moreira Montes.