Leiria. Vento dobrou teto de carpintaria na Carreira mas poupou estação de Monte Redondo

Leiria. Vento dobrou teto de carpintaria na Carreira mas poupou estação de Monte Redondo

A norte do concelho de Leiria, o vento atirou árvores para aos carris dos comboios e destruiu também telhados de empresas e de casas. Na viagem que a Antena 1 está a fazer na Linha do Oeste, encontrou um casal que vivia na freguesia da Carreira e que mudou-se há quase um mês para uma casa junto à estação de Monte Redondo, mergulhada no silêncio de uma linha parada.

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Gonçalo Costa Martins - Antena 1

Moisés Rocha e Raquel Nunes estão sentados no único banco da estação. Conversam e olham para uma linha vazia de comboios, para onde caíram árvores de um pinhal: reparam numa vedação "muito destruída".

Há um amontoado de ramos junto aos carris e os estragos só não foram maiores porque o troço Caldas da Rainha - Louriçal, com Monte Redondo pelo meio, não tem catenária e não está eletrificado. Ainda assim, o edifício branco da estação parece ter saído ileso.

"Esta rua foi das poucas menos afetadas", conta Raquel. Ela e o companheiro ficaram com a casa sem telhado durante a tempestade Kristin, pelo que se mudaram para junto da estação de Monte Redondo.

"A minha residência é na Carreira, a cinco minutos daqui", descrevendo que "a alternativa que arranjei foi vir ter com a minha avó". No final do dia, o casal aproveita a tranquilidade da estação, emparedada do lado do cais de embarque e com alguma informação ao público em folhas de papel afixadas.

Moisés e Raquel sugerem à Antena 1 visitar a freguesia da Carreira, em Leiria, onde aponta que prejuízos foram significativos. Moisés toma a dianteira e guia-nos por mais de quatro quilómetros até uma zona de campos agrícolas que ainda está parcialmente submerso.

"Depois da tempestade ficou como um rio", conta Moisés, apontando para estufas e estradas afetadas.

Dos campos para o centro da freguesia, há uma carpintaria que tem Filipe Oliveira como gerente e faz móveis para cozinhas, quartos e casas de banho. Os prejuízos chegam perto de 800 mil euros, com o pavilhão principal a precisar de ser demolido: o teto dobrou e desabou, enquanto uma das paredes apresenta fissuras, buracos e parece que tem um mossa.

Parede e teto da carpintaria de Filipe Oliveira foram destruídos pelo vento

Filipe acredita que o relógio marca o dia e a hora em que a tempestade atingiu o pavilhão

Guardou as madeiras e as máquinas que tinha em dois camiões e num pavilhão mais pequeno (com menos de metade da área do maior). Filipe espera conseguir retomar a produção nos próximos meses.

O presidente da Junta de Freguesia da Carreira, Mário Carvalho, pede cabeça erguida para seguir em frente. Com a eletricidade e a água quase repostas, as telecomunicações são o grande problema.

Depois há uma linha que não funciona. Monte Real é a estação que serve os habitantes da freguesia da Carreira, mas a degradação geral da linha é um lamento do autarca.

"Este desinvestimento que houve, inclusivamente, das próprias estações, que não têm ninguém lá", afirmou. "As pessoas foram também perdendo o interesse que toda aquela vontade que tinham e oportunidade que tinham de utilizar o comboio foi-se perdendo. Mas ainda há quem utilize".
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