Lenços dos Namorados inspiram novos produtos

Os ancestrais Lenços de Namorados, bordados com mensagens de amor, deram origem a novos artigos como relógios, peças de porcelana e atoalhados que foram apresentados hoje, no âmbito das comemorações do Dia de São Valentim.

Agência LUSA /

O estilista Nuno Gama e várias empresas aceitaram o desafio da Aliança Artesanal - cooperativa de promoção e comercialização do artesanato da Região do Minho, sedeada em Vila Verde, Braga - para criarem novas peças que tivessem como inspiração os Lenços dos Namorados, uma "preciosidade" tradicional do Norte do país que simboliza a ligação amorosa entre casais.

Assim, foram criados relógios, peças de porcelana, lençóis, travesseiros, toalhas, fios, colares e pulseiras que estão expostos no "lounge" da TAP até 14 de Fevereiro, data em que se assinala o Dia dos Namorados.

A exposição "Namorar Portugal" é resultante de uma parceria entre a TAP Portugal, a Aliança Artesanal e a Câmara Municipal de Vila Verde, que tem desenvolvido diversas acções para dar a conhecer a cultura e a tradição daquela região minhota.

"Há um grande diversidade de produtos que se podem fazer baseados nos Lenços dos Namorados e que contribuem para o desenvolvimento local", disse o presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, José Manuel Fernandes, durante a inauguração da exposição.

Para o autarca, o desenvolvimento local também se faz promovendo o seu património: "não ficamos na nostalgia, queremos que o nosso património seja reavivado. Por isso criámos parcerias com a TAP e a Vista Alegre, que são para continuar".

Inspirado nos lenços dos namorados, o estilista Nuno Gama tem criado novos produtos que têm ajudado a divulgar o património da região minhota além-fronteiras.

"A ideia é partir do que já existe e criar coisas novas, mas sempre mantendo a tradição", afirmou o estilista, que concebeu uma colecção de atoalhados com poemas de amor e "bijutaria" em pano.

Segundo Nuno Gomes, são objectos que podem ser usados e que permitem que as pessoas escrevam neles as suas próprias mensagens.

Para o vice-presidente executivo da TAP, Luiz da Gama Mor, esta iniciativa contribui para divulgar o património e a cultura portuguesa, transmitindo, simultaneamente, uma imagem de actualidade e modernidade do país.

Os "Lenços dos Namorados" têm a sua origem nos lenços senhoriais do século XVII-XVIII, que foram depois adaptados pelas mulheres do povo, que utilizaram expressões, materiais e técnicas mais simples.

A rapariga quando estava próxima da idade de casar bordava um lenço num pano de linho fino, se o tivesse, ou num pano de algodão que comprava na feira e entregava ao seu amado que o usava em sinal de amor correspondido.

Para realizar esta obra, a rapariga utilizava o bordado a ponto de cruz, que foi depois parcialmente substituído pelo ponto corrido ou de pé-de-flor, de cadeia e canutilho, que eram mais fáceis de executar.

As cores utilizadas também foram alteradas: o preto e o vermelho foram substituídos por uma grande variedade de cores que vieram introduzir uma enorme riqueza cromática.

Os motivos bordados eram de grande diversidade, ao gosto de cada bordadeira que recorria a símbolos religiosos, corações e chaves, borboletas, par de namorados e outros.

Quanto aos textos, estes podiam assumir a forma de palavras soltas, frases ou quadras. Neles, a sua autora, de uma forma mais ou menos explícita, assumia os seus sentimentos pelo rapaz que, se estivesse interessado no namoro, iria usar o lenço ao pescoço.

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