Leonor Beleza apresentou à Câmara de Lisboa projecto de centro de investigação da Fundação Champalimaud
A presidente da Fundação Campalimaud, Leonor Beleza, reuniu-se com o autarca da Câmara de Lisboa, António Costa, e os cabeças-de-lista dos diferentes partidos para apresentar o projecto do centro de investigação daquela instituição, na zona de Pedrouços.
"È um projecto de interesse da Câmara de Lisboa numa zona sensível da cidade, a Frente Ribeirinha", afirmou António Costa (PS), na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do executivo municipal.
O encontro com Leonor Beleza, onde também esteve o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (PS), foi promovido pelo presidente da Câmara.
António Costa sublinhou a existência de um "consenso de todos sobre a grande utilidade para a cidade da localização deste centro de investigação de dimensão mundial".
O autarca referiu igualmente a importância de o edifício ter uma "adequada relação com o espaço e uma adequada integração na cidade".
O centro de investigação localizar-se-á na zona da Pedrouços, depois de ter sido abandonada a hipótese de construção em terrenos da família Champalimaud, no Concelho de Cascais, na zona do Cabo Raso, junto à Quinta da Marinha.
António Costa lembrou que "qualquer construção na Cidade de Lisboa, mesmo na Frente Ribeirinha [sob jurisdição da Administração do Porto de Lisboa], com excepção de obras estritamente portuárias, a competência de licenciamento é da Câmara de Lisboa".
A Fundação Champalimaud, criada em 2004 por vontade do falecido empresário António Champalimaud, apoia investigação científica em áreas de ponta.
O vereador independente e ex-presidente da Câmara Carmona Rodrigues avançou que a Administração do Porto de Lisboa cedeu o terreno à Fundação mas não a título gratuito.
O projecto é do arquitecto indiano Charles Correia e prevê "construção de baixa densidade, só com dois pisos acima do solo, com anfiteatro para conferências e concertos e um espaço público com zonas verdes", adiantou Carmona Rodrigues.
Charles Correia deslocar-se-á a Lisboa para apresentar o projecto, entre 15 e 20 de Outubro.
Na sequência do projecto, serão demolidos o edifício da Escola de Pesca "e outros edifícios" junto a ele, próximo do Monumento aos Combatentes da Guerra Colonial, acrescentou Carmona Rodrigues, que sublinhou a "enorme importância para a cidade e para o País" deste centro de investigação.
Pelo PSD, Margarida Saavedra afirmou que se o edifício "estiver integrado num plano" terá o apoio dos sociais-democratas, que defendem um plano integrado para a Frente Ribeirinha.
A vereadora do movimento Cidadãos por Lisboa Helena Roseta sublinhou a necessidade de o projecto ser apresentado publicamente "para que a cidade e os cidadãos o conheçam".
"Estas matérias não podem ser discutidas à porta fechada", insistiu.
O vereador comunista Ruben de Carvalho escusou-se a comentar o projecto, do qual apenas hoje tomou conhecimento e que vai "numa fase de concretização muito avançada".
"Evidentemente que vemos com vantagem a sua instalação em Lisboa", afirmou.
O vereador dos Espaços Verdes, José Sá Fernandes (BE), afirmou que na reunião com Leonor Beleza foi feita uma "análise muito superficial e ficou assente que o projecto teria de ser analisado com mais detalhe e que houvesse uma exposição à cidade".
"É uma mais valia para qualquer cidade do mundo ter um centro de investigação científica de ponta mas independentemente disso temos um problema urbanístico que temos que analisar", declarou.
Sá Fernandes, que se opõe à construção na Frente Tejo, recordou o acordo que fez com o PS na Câmara de Lisboa, que estabeleceu, para a Frente Ribeirinha, "que não podem haver licenciamentos que se passem fora da Câmara".