Lídia Jorge. "O mais tocante nos últimos dias foi a solidariedade das pessoas e a resistência"

Lídia Jorge. "O mais tocante nos últimos dias foi a solidariedade das pessoas e a resistência"

No dia em que recebe o Prémio Pessoa 2025, a escritora mostrou-se sensibilizada com a solidariedade que se tem visto durante as tempestades que atingiram em especial o centro do país. Sem esquecer as profundas alterações que o mundo está a viver, apontou que António Guterres "finalmente" foi "capaz de enfrentar Donald Trump".

Gonçalo Costa Martins, Eduarda Maio - Antena 1 /

Esta manhã no Ponto Central, da Antena 1, a escritora Lídia Jorge sublinhou o "momento de sobressalto" que se vive no mundo, não deixando de apontar para Portugal, a braços com os efeitos de várias tempestades. Mas houve uma, a Kristin, que assolou a região Centro. 

Defendendo uma "solidariedade transversal nas sociedades", destaca os portugueses e que "o nosso país está reagindo de alguma forma, de uma forma positiva".

"Acho que o que foi para mim mais tocante nestes últimos dias foi perceber a solidariedade das pessoas e a capacidade de resistência", afirmou Lídia Jorge.

Guterres "finalmente disse alguma coisa, foi capaz de enfrentar Donald Trump"
Além das dificuldades atuais em Portugal, Lídia Jorge ouve vozes com diferentes forças espalhadas pelo mundo.

Deixa então um apelo perante uma realidade polarizada: "É preciso que as pessoas que são honestas e boas, que têm uma visão positiva e fraterna para o mundo, que se levantem, falem e ajam".

Na ordem internacional, mesmo os países com menos representação, força ou poderio militar, "têm o dom da palavra", um poder que a escritora defende que seja usado para provocar reações.

"Está visto que os grandes instrumentos de organização e de pacificação, como é o caso da ONU, estão com dificuldade", sublinha, apontando ainda assim um elogio a palavras recentes de António Guterres: "Finalmente disse alguma coisa, foi capaz de enfrentar Donald Trump".
No dia 19 de janeiro, em entrevista ao programa Today, da BBC Radio 4, o secretário-geral das ONU considerou que os Estados Unidos agiam com impunidade, com um poder considerado superior ao do direito internacional, na sequência do ataque à Venezuela e as ameaças de aneaxação do território dinamarquês da Gronelândia.

Para Guterres, há uma "clara convicção" de que Washington olha com irrelevância para soluções multilaterais, importando antes o "exercício do poder e da influência dos Estados Unidos e, por vezes, nesse aspecto, pelas normas do direito internacional".

Às 19 horas, Lídia Jorge vai receber o Prémio Pessoa 2025, no átrio central da sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. Para a escritora, os prémios são como espelhos que "devolvem uma espécie de valorização que ajuda que a pessoa continue". 

Mostrando-se feliz, considera que este prémio tem um sentido muito importante e que valoriza a constância dos seus premiados.
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