Liga Portuguesa de Deficientes Motores vive grave crise financeira

A situação financeira da Liga Portuguesa de Deficientes Motores (LPDM), que recebe diariamente cerca de 500 pessoas, "é muito grave", com dívidas que ascendem aos 2,5 milhões de euros, revelou hoje a presidente da instituição.

Agência LUSA /

"Ultrapassámos mais de meio milhão de contos em dívidas porque nós fazemos serviços com qualidade e os acordos para a prestação dos nossos serviços que são feitos com o Governo central em várias áreas, como na saúde, educação e segurança social, não cobrem o custo real de cada acto que fazemos", afirmou Guida Faria.

A responsável, que falava no final de uma visita às instalações da LPDM do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, deu como exemplo o prejuízo na área da educação que ascendeu aos 800 mil euros no ano passado.

A Liga, que tem cerca de 300 colaboradores e alguns voluntários, atende pessoas em desvantagem social, de todas as idades, com deficiência ou doença crónica, idosos, crianças e jovens em risco.

No entanto, está aberta a todas as pessoas que queiram utilizar os seus serviços nas áreas da educação física, manutenção da saúde e formação, o que ajudaria a associação a equilibrar as suas contas.

"O que nós precisamos é que as pessoas venham utilizar os nossos serviços", apelou Guida Faria, acrescentando que a Liga tem um manancial de serviços que pode fornecer ao cidadão comum.

Se o "cidadão comum pagar é o suficiente" para a Liga poder fazer frente aos serviços que "o Estado paga a 40 ou 50 por cento", sustentou.

A responsável adiantou que a LPDM recebe diariamente no edifício da Ajuda uma média de 400 a 500 pessoas, que frequentam o programa de saúde, e mais 200 que são atendidas em Chelas, na área da formação profissional.

Durante a visita às instalações da Liga, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa foi ouvindo as explicações de Guida Faria sobre as várias actividades que a instituição oferece e observou vários trabalhos feitos por jovens deficientes, como tapetes de Arraiolos, bonecos em barro, quadros e bancos de jardim.

Todos estes trabalhos, segundo uma colaboradora, são vendidos e as suas receitas revertem 80 por cento para a Liga, que oferece todos os materiais, e os restantes 20 por cento para os "artistas".

Quem queira comprar os seus trabalhos pode fazê-lo directamente na Liga ou através de exposições em feiras de artesanato, em que os artistas participam.

Carmona Rodrigues assistiu ainda a uma aula de terapia da fala, onde foi "presenteado" com a canção "Peixinho do mar", interpretada por duas crianças.

No final da visita, Carmona Rodrigues mostrou-se muito "impressionado" e "emocionado" com o que viu.

"Fiquei impressionado com a história desta associação, pelo trabalho que aqui é desenvolvido há muitos anos e pelo esforço permanente em querer fazer mais e melhor a favor de pessoas carentes que precisam da nossa ajuda", salientou o autarca.

Carmona Rodrigues adiantou que estão previstas várias iniciativas para poder aumentar a oferta da instituição, que "é muito solicitada".

"Aumentar a capacidade de oferta deste tipo de serviços, não só aqui, mas noutras zonas da cidade de Lisboa, é seguramente uma das apostas prioritárias da Câmara", frisou o presidente da autarquia.

Há pessoas que todos os dias se deslocam de locais distantes da Área Metropolitana de Lisboa para a Liga e é objectivo da autarquia criar novos espaços mais próximos dessas pessoas.

"Se nós conseguirmos ter noutros pontos de Lisboa uma oferta desta natureza" é mais fácil para quem todos os dias traz os seus familiares à instituição, acrescentou.

Um desses projectos, segundo Guida Faria, é criar uma Casa das Artes em Lisboa.

Fundada há 48 anos por João dos Santos, a LPDM constituiu-se como Centro de Recursos Sociais e desenvolve diversas actividades na área de apoio aos deficientes motores em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, desde a década de 80.

Juntamente com a autarquia, a LPDM tem vários projectos em acção como a "Casa Aberta", que visa a eliminação de barreiras arquitectónicas nos domicílios de pessoas com mobilidade reduzida, e o "LX Amigo", que pretende possibilitar a realização de pequenos arranjos no domicílio de pessoas com mais de 65 anos ou com deficiência.

Actualmente são atendidos em programas de Reabilitação, Educação e Inserção Social mais de 6.000 utentes/ano de todas as idades e cerca de 400 crianças e jovens participam em diversos programas de desenvolvimento pessoal e social, em parceria com os serviços oficiais e com as comunidades residenciais.

Segundo a LPDM, cerca de 60 por cento da população atendida nos programas pedagógicos é portadora de multi-deficiência.

A mais jovem frequentadora da instituição tem apenas alguns dias e está na creche e o mais velho faz 100 anos para o mês que vem.

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