Ligação ao rio orientou projecto de Charles Correa para Centro de Investigação da Fundação Champalimaud

Lisboa, 24 Abr (Lusa) - Criar uma ligação entre Lisboa e o rio foi uma das preocupações centrais do arquitecto goês Charles Correa, responsável pelo projecto do Centro de Investigação da Fundação Champalimaud, em Pedrouços, hoje apresentado na Ordem dos Arquitectos.

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Na apresentação do projecto - que inclui três blocos principais: centro de pesquisa, auditório e anfiteatro ao ar livre -, Charles Correa afirmou querer "devolver a zona à cidade".

"Não vai ser um pedaço privado de terreno, é um sítio onde vão passar turistas. O edifício foi assim desenhado por causa do local onde está, a ideia é não distorcer nada do que já existe, mas criar um equipamento para a cidade", afirmou.

Situado junto às instalações da Docapesca, em Pedrouços, o projecto de Charles Correa inclui um passeio que dá acesso ao complexo de edifícios e termina num miradouro, encimado por duas colunas de pedra, virado para o estuário do Tejo.

O edifício principal inclui um jardim interior, delimitado por uma parede com grandes orifícios circulares que canalizam a luz natural para o edifício, onde os laboratórios de pesquisa na área das doenças oncológicas comunicarão visualmente com as áreas destinadas aos pacientes.

A ideia é facilitar a comunicação entre médicos e pacientes e "o edifício ser parte da terapia", referiu Charles Correa, principalmente através do grande jardim interior, que deverá ser decorado com plantas tropicais e oferecer aos pacientes um estímulo para a cura através do contacto com a natureza.

O edifício principal comunica através de uma ponte com o bloco onde funcionará o auditório, restaurante e área reservada a exposições. O projecto completa-se com um anfiteatro ao ar livre, desenhado para acolher concertos ou palestras e que é acessível a partir da marginal pelos transeuntes.

Charles Correa frisou ainda a preocupação com a sustentabilidade dos edifícios, desenhados para serem saudáveis, por exemplo aproveitando água do rio Tejo para os sistemas de refrigeração.

João Botelho, da Fundação Champalimaud, recordou que o projecto de arquitectura aguarda licenciamento da Câmara Municipal de Lisboa.

A Fundação aponta para que esteja pronto a inaugurar em 05 de Outubro de 2010, centenário da implantação da República.

APN.


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