Lima de Carvalho acha "compreensível" suspeitas do grupo DEA

Amadeu Lima de Carvalho, um dos principais accionistas da Universidade Independente, considerou hoje "compreensível" que o grupo angolano de investidores DEA tenha acusado os responsáveis da UnI de "má fé" no negócio de compra de acções.

Agência LUSA /

"É compreensível que Carlos Burity da Silva fique na dúvida se era eu, ou não, que detinha os 57,5 por cento das acções", disse à agência Lusa Amadeu Lima de Carvalho, a propósito das declarações do responsável da DEA, também reitor da Universidade Independente de Angola.

Burity da Silva acusou os elementos da UNI, Rui Verde e Lima de Carvalho, de "má fé" no negócio da compra de acções da empresa proprietária da universidade portuguesa, o que inviabilizou a operação.

Lima de Carvalho entendeu ser "normal" a postura do grupo DEA (Desenvolvimento do Ensino Superior de Angola, SA), até que a justiça clarifique a quem pertencem as acções que os angolanos lhe devolveram.

"Eu, no lugar deles (DEA), ainda ficava com muito mais dúvidas após tudo o que aconteceu", frisou o fundador da UnI, admitindo ser legítimo por parte de Burity da Silva que possa pensar que ele (Lima de Carvalho) estivesse "feito" com Rui Verde.

Além da compra das acções da UnI ter corrido mal, existe um cheque no valor de dois milhões de euros "que Rui Verde (vice-reitor exonerado) deu à DEA" e, quando foi depositado, verificou-se que tinha sido dado "como extraviado" pelo titular da conta.

Segundo Lima de Carvalho, o cheque de garantia dado por Rui Verde ao grupo DEA era da Caixa Agrícola de Sintra, pelo que este grupo angolano ainda tem a receber dois milhões de euros do vice-reitor.

Burity da Silva disse quarta-feira à Lusa que "o grupo DEA é credor das parcelas que pagou pelas acções".

Todo este processo está a ser alvo de uma disputa nos tribunais.

Face a esta confusão jurídica, o grupo DEA deu como desfeito o negócio em Outubro de 2005 e Burity da Silva afirma agora que, neste momento, não há "qualquer ligação entre as duas universidades".

"As ligações foram quebradas em Outubro de 2005. São duas entidades privadas de ensino absolutamente autónomas" acrescentou.

Questionado sobre a situação vivida actualmente na UnI, Burity da Silva demarcou-se, afirmando que "é pelo principio da não ingerência nos assuntos internos das instituições".

As aulas na UnI estão suspensas até à próxima segunda- feira, depois do reitor da Universidade, Luís Arouca, ter demitido o Rui Verde por este alegadamente ter desviado verbas avultadas da instituição.

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