"Língua dos romanos era o português" - um dos disparates de alunos reunidos em livro por antigo professor (c/audio)

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Lisboa, 12 Nov (Lusa) - A leitura de "História desatinada de Portugal" poderá permitir a conclusão de que "o Império Romano foi conseguido porque tinha um exército muito católico" e que a sua língua "era o português".

Estas são algumas frases recolhidas de testes de alunos entre os 10 e os 14 anos, pelo professor Luís Mascarenhas Gaivão que as compilou num livro editado pelas Publicações Europa-América, esta semana.

Se "a língua dos romanos era o português, inventaram ainda o inglês e o espanhol", conclui o mesmo aluno.

Em declarações à Lusa, Mascarenhas Gaivão afirmou que "os erros repetem-se e repetir-se-ão sempre" pois "frequentemente" recebe e-mails e textos "com estes e outros disparates".

"O importante é encontrar a razão deles, que pode ser ignorância e a preguiça", até porque estes "disparates são de alunos entre o satisfatório e o bom, e todos passaram de ano", salientou.

Porém, frisou, "a exigência do sistema básico, é de facto pouca, e a estrutura em que a escola está estruturada facilita e não cria hábitos de estudo, nem o pensamento de estudar para singrar na vida".

"Esta é uma falha do nosso sistema de ensino, talvez a principal de todas, e era isto que era preciso atalhar", apontou.

Actualmente aposentado, Mascarenhas Gaivão, afirmou que "as actuais gerações, as futuras e as vindouras, hão-de saber muito pouco da História de Portugal e da Cultura Portuguesa".

Sobre o século XV português, os alunos escreveram várias possibilidades relativamente ao povoamento dos Açores que segundo eles, terá sido levado a cabo pelos "flamingos", "D. Manuel", "as feitorias", "os alentejanos de Miranda", "os algarvistas", "os al-maricanos" ou "os da Finlândia e da Itália".

"O aluno como não aprendeu a saber ler, a compreender o que lê, não ganhou conceitos, não estruturou a cabeça para poder transmitir", justificou.

Para o ex-professor, os alunos não registam os factos mais importantes, "nomeadamente porque falamos esta língua e porque ela está dispersa pelo mundo".

"Com este sistema de ensino não se lembram de nada aos 18/19 anos, não sabem quem é o Infante D. Henrique, por exemplo, e no máximo sabem quem foi D. Afonso Henriques", declarou.

O autor que já foi assessor pedagógico do Ministério da Educação, considera que a Internet "podendo ajudar o aluno, exige que ele seja acompanhado para não se perder".

"A pulverização que a Internet trouxe e os interesses de outra ordem senão forem controlados no bom sentido, educacionalmente, pois dá aos alunos uma espécie de panóplia, de coisa sem informação", atesta o ex-professor.

"O trabalho que fazem no computador - aconselha Luís Mascarenhas Gaivão - deve ser acompanhado pelo professor que deve estar sempre em cima para não os deixar perderem-se".

"História desatinada de Portugal", de Luís Mascarenhas Gaivão, nascido em Luanda em 1948, sucede a "História de Portugal em disparates" e "Nova e inédita História de Portugal em disparates", que também seleccionam um conjunto de silogismos de alunos adolescentes.

Um livro que, afirmou, "deve ser lido com humor, para rir" apesar de "não deixar de ficar apreensivos".

Mascarenhas Gaivão, além de professor de História e Filosofia, exerceu as funções de diplomata e cooperante como formador na Educação de adultos, em Cabo Verde e foi director dos centros culturais portugueses em Luanda e no Luxemburgo.

NL.

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