Linha do Oeste regista já dez locais instáveis e espera expansão de comboios Lisboa Rossio - Malveira

Linha do Oeste regista já dez locais instáveis e espera expansão de comboios Lisboa Rossio - Malveira

A CP tem nos planos expandir uma das ligações suburbanas do centro de Lisboa até Malveira, deixando de haver transbordo em Meleças e servindo melhor a Linha do Oeste. Mas os estragos das tempestades fazem esperar a formação dos maquinistas. Antes há outro problema: a IP já identificou seis concelhos com troços onde houve deslizamentos de taludes e instabilidade na via.

Gonçalo Costa Martins - Antena 1 /
Foto: João Marques - RTP

A IP - Infraestruturas de Portugal já começou a avaliar os estragos na Linha do Oeste, o único serviço ferroviário totalmente suspenso desde o dia 28 de janeiro.

Ainda sem ter acabado os trabalhos no terreno, a gestora da rede ferroviária identifica à Antena 1 mais de uma dezena de locais afetados em troços que atravessam os concelhos de Mafra, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Bombarral, Óbidos e Caldas da Rainha.

“Das inspeções realizadas até à data, estão identificados mais de uma dezena de locais onde se verifica deslizamentos de taludes e instabilidade na plataforma de via, nos troços entre Mafra e Malveira / Sapataria, Torres Vedras / Ramalhal e Bombarral / São Mamede e Caldas da Rainha”, explica.

As soluções de reabilitação ainda vão ser decididas e só depois será possível apontar “com exatidão o período necessário para a realização dos trabalhos”, acrescenta. Enquanto a avaliação decorre, um documento da IP a que a Antena 1 teve acesso já dá como “fora de exploração” o troço entre as estações de Mira Sintra - Meleças e Caldas da Rainha. Esta instrução interna entrou em vigor no dia 12 de fevereiro e introduziu mudanças na sinalização até novas indicações.
A IP esclarece que as mudanças se devem a “não poder ser imediato” o regresso da circulação, servindo para “garantir a segurança face aos danos causados” nesta linha que vai de Mira Sintra - Meleças até à Figueira da Foz e Coimbra. Planos da CP até Malveira esperam avaliação dos estragos
Ainda antes do mau tempo, a CP - Comboios de Portugal já tinha colocado em marcha uma intenção: ligar melhor a região Oeste ao centro de Lisboa. O objetivo está no Plano Ferroviário Nacional, aprovado em 2025 pelo atual Governo, com Caldas da Rainha e Torres Vedras no horizonte, mas os primeiros passos ficam-se pelo concelho de Mafra.

A CP tem nos seus planos a introdução de melhorias nos serviços de passageiros na Linha do Oeste, nomeadamente com a extensão de comboios urbanos do Rossio até à Malveira, quando forem concluídas as obras de modernização da infraestrutura”, revela a empresa à Antena 1. Nesta altura pelo menos a eletrificação está concluída nestas zonas.

O objetivo passa por expandir uma das ligações suburbanas que atravessam a Linha de Sintra. O comboio que vem do Rossio, em Lisboa, deixaria de terminar em Mira Sintra - Meleças e atravessaria mais três estações (Sabugo, Pedra Furada e Mafra) até chegar à Malveira.

As aulas teóricas na formação de 178 maquinistas que possam fazer este percurso arrancaram em janeiro e vão até março, mas a CP não dá datas sobre as aulas práticas na linha“A CP aguarda os resultados da avaliação em curso da infraestrutura, que está a ser realizada pela Infraestruturas de Portugal, para analisar as ações a tomar”, afirma.
Nesta altura ainda está a ser trabalhada a oferta comercial, sendo que na extensão a Torres Vedras “estão ainda a ser efetuadas análises internas”, acrescenta a CP. Para já a IP não respondeu às questões da Antena 1 sobre este tema. Linha do Oeste sem serviços alternativos
No meio da incerteza lançada pela avaliação dos danos das tempestades, está também uma declaração do ministro das Infraestruturas e da Habitação. Ainda o mau tempo não tinha terminado e Miguel Pinto Luz anunciava, no dia 2 de fevereiro, que “a Linha do Oeste vai estar no mínimo nove meses parada para toda a sua reconstrução”. Viria a repetir a mesma ideia uma semana depois.

Sabe-se que a IP já começou a avaliar os danos, mas ainda é uma incógnita se os 197 quilómetros ficarão fora de serviço durante nove meses.

Já lá vai quase um mês sem comboios numa linha que liga os distritos de Lisboa, Leiria e Coimbra. Apesar de não ligar diretamente Meleças e Figueira da Foz, a CP nada adianta sobre a possibilidade de retomar alguns troços não afetados ou já desobstruídos. A IP confirma que já realizou limpezas de árvores nas vias.

À espera de saber se o fecho por nove meses será total, questionada em dois momentos diferentes (primeiro, após o primeiro anúncio de Pinto Luz e, segundo, nesta notícia da Antena 1), a CP respondeu exatamente da mesma maneira sobre a adaptação do serviço e alternativas.

“Assim que ficarem definidas as condições e faseamento da reabertura da Linha do Oeste, a CP adaptará gradualmente os seus planos de contingência, nomeadamente ao nível da oferta ferroviária parcial, nos troços não afetados, e serviços rodoviários complementares, onde se verifique necessário, à semelhança do que tem acontecido em outros casos de interdição da circulação na infraestrutura ferroviária”, aponta.

Ainda há menos de dois anos a Linha do Oeste esteve parcialmente sem comboios, entre Meleças e Torres Vedras. As obras de modernização feitas, iniciadas em abril de 2024, eram para durar quatro meses, mas vários imprevistos geológicos estenderam-nas até março de 2025 (no fim as obras eram de Meleças a Malveira). Só que na altura foram contratados pela CP autocarros para o percurso em obras.

Além de ter material obsoleto e grafitado (à espera de receber alguns dos novos comboios da CP), este é um serviço que apresenta atrasos e supressões frequentes. A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste diz à Antena 1 que só no mês de dezembro contou 98 supressões na linha.
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