Linha Internet Segura recebe 949 casos de cibercrime e violência em 2025, uma subida de 39%

Linha Internet Segura recebe 949 casos de cibercrime e violência em 2025, uma subida de 39%

A Linha Internet Segura (LIS) recebeu 949 casos de cibercrime e violência em 2025, um aumento homólogo de 39%, sendo as burlas e a extorsão os dois crimes mais reportados.

RTP /
Hans Lucas via AFP

"Além de todas as pessoas que já apoiávamos em anos anteriores, cujo apoio é continuado, durante 2025 recebemos estes 949 novos processos", o que "revelou um aumento de 39% face a 2024", quando tinham sido registadas 681 vítimas de cibercrime, explica à Lusa Carolina Soares, gestora da LIS a gestora, no dia em que se assinala o Dia da Internet Mais Segura.

A Linha Internet Segura é um serviço do Centro Internet Segura, coordenada pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), com duas dimensões: Helpline, que presta apoio telefónico ou online, de forma anónima e confidencial a vítimas de cibercrimes, e a Hotline, uma plataforma de denúncia de conteúdos ilegais online como abusos sexuais de menores, incitamento à violência, racismo, xenofobia e terrorismo online.

"O crime que mais nos chega (...) mantém-se, são situações de burla",
apontou Carolina Soares, e somou 358 situações em 2025, um aumento de 44% face aos 247 do ano anterior.

"Dentro da burla temos vários tipos de métodos", sublinhou, a que se segue, em segundo lugar, a extorsão, com 167 situações, um aumento de 90% face a 2024 (88).

A par das burlas, "o que se segue, em termos de grupo com maior destaque são as situações de violência sexual baseada em imagens, onde se enquadra a extorsão sexual, a partilha não consentida de uma imagem íntima e também a maior parte das situações de violência contra crianças", prosseguiu a responsável.

O acesso ilegítimo registou 78 situações, seguida de crimes sexuais contra crianças (75).

"Continuamos a ter um maior número de raparigas ou mulheres a chegarem até nós", que representam 53,1% dos reportes (504), referiu.

Entre os métodos mais frequentes destacam-se a burla em comércio online (84), burla de investimento e criptomoedas (60) e burla romântica (49).Em termos de faixa etária, "tivemos um aumento significativo do número de contactos de crianças e jovens, ou seja, até aos 17,18 anos".

Em muitas dessas situações "também há um aumento significativo dos casos de extorsão sexual para esta população e de casos de aliciamento para fins sexuais, ou seja, temos mais casos em que existe uma tentativa de encontro físico com estas mesmas crianças e jovens, em espaço nacional, e de pornografia de menores, ou seja, os próprios gerarem uma fotografia sua, partilharem-na com alguém e depois essa pessoa fazer essa fotografia circular", relatou. Além de violência entre pares, "em contextos, por exemplo, de ciberbullying".

A extorsão sexual registou 159 situações e a partilha ou gravação não consentida de imagens íntimas 77.

No que respeita às situações que envolvem crianças e jovens, em 2025 a LIS apoiou 119 menores vítimas de cibercrime de outras formas de violência online (74 em 2024).

Do total, 75 respeitam crimes sexuais contra crianças online, nomeadamente pornografia de menores, aliciamento de menores para fins sexuais, importunação sexual e extorsão sexual.

Segundo as estatísticas, os dados refletem um aumento de 92% das situações de crimes sexuais contra crianças online face 2024.

Em 2025, a faixa etária 18-64 anos foi a que mais recorreu à Helpline (82,1% adultos), com 51 situações nos mais de 65 anos.

"Em termos do local do crime, continuamos a ter uma prevalência de situações que começam a ocorrer nas redes sociais (362), ou seja, num Facebook, num Instagram, num Snapchat, num Twitter X", entre outros, "mas a esmagadora maioria também tem uma tendência para depois passar para outras plataformas, nomeadamente encriptadas, como é o caso do WhatsApp", disse a responsável.

O Centro Internet Segura, coordenado pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), resulta de um consórcio que envolve a DGE - Direção-Geral da Educação, o IPDJ - Instituto Português do Desporto e Juventude, a FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, a APAV e a Microsoft Portugal.

c/Lusa
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