Lisboa aprova parque de estacionamento da EMEL no Parque Mayer
A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou hoje o regulamento do parque de estacionamento do Parque Mayer, explorado pela EMEL, depois de ter sido gerido pela Bragaparques quando já era propriedade da Câmara.
A Bragaparques manteve até Março a gestão do parque de estacionamento no Parque Mayer, apesar de o terreno pertencer à Câmara de Lisboa desde 05 de Julho de 2005, dia em que foi assinada a escritura da permuta entre os terrenos do Parque Mayer, que pertenciam à Bragaparques, e parte dos terrenos municipais de Entrecampos, onde se situava a Feira Popular.
A 19 de Março, a autarquia deu um prazo de dez úteis à Bragaparques para abandonar os terrenos do Parque Mayer, estando actualmente o parque de estacionamento a ser explorado pela EMEL, a empresa pública de estacionamento.
O regulamento do parque de estacionamento ao serviço da EMEL foi hoje aprovado com os votos favoráveis dos deputados municipais do PSD, PS e CDS, as abstenções do PCP e PEV e o voto contra do Bloco de Esquerda.
A deputada municipal socialista Sofia Dias considerou hoje tratar-se de uma "situação a todos os tipos irregular".
"Estranha-se que a exploração pela Bragaparques tenha decorrido tranquilamente durante dois anos", declarou.
O deputado do Bloco de Esquerda Heitor de Sousa contestou o agendamento da proposta, considerando que o seu teor "extravasa as competências da comissão administrativa" que gere a autarquia até às eleições intercalares de 15 de Julho.
Para o deputado, a proposta reflecte uma política de mobilidade que "convida mais carros a entrar e estacionar no centro da cidade".
A presidente da Assembleia Municipal, Paula Teixeira da Cruz (PSD), esclareceu que a proposta foi agendada pelo executivo anterior e não pela comissão administrativa e que este agendamento foi concertado em conferência de representantes.
O deputado comunista Feliciano David afirmou, por seu turno, que "não se pode discutir esta proposta sem chamar à colação o negócio com a Bragaparques", sublinhando que apenas o PCP votou contra a permuta dos terrenos, tendo igualmente apresentado queixa no Ministério Público.
O deputado do Bloco de Esquerda Carlos Marques argumentou que os deputados bloquistas votaram favoravelmente o negócio através de "uma proposta condicionada".
"Não dizer isso é não contar a história toda", criticou.
Dirigindo-se ao comunista Feliciano Duarte e enquanto apontava para as bancadas do PSD e CDS-PP, Carlos Marques afirmou: "A nossa guerra é para aquele lado".
O líder da bancada social-democrata, Saldanha Serra, considerou que aquela discussão foi "paradigmática" do que será a campanha dos partidos de esquerda e "do que os lisboetas podiam esperar se a esquerda vencesse as eleições".
"A esquerda vai vencer as próximas eleições, mas é o PS, porque há esquerda e esquerda", contrapôs o líder da bancada socialista, Miguel Coelho.
A presidente da Assembleia, Paula Teixeira da Cruz, acabou por lembrar os deputados que estavam no período da ordem do dia e não em campanha eleitoral.