Lisboa e Belgrado desvalorizam conferência internacional sobre Kosovo
A presidência portuguesa da UE e a Sérvia desvalorizaram hoje a ideia de uma conferência internacional sobre o Kosovo, sublinhando a importância de "esgotar todas as possibilidades" de um compromisso sobre o futuro estatuto da província.
"Entendemos que este período deve ser aproveitado ao máximo para encontrar uma solução negociada para o conflito (...) Se o entendimento for de que essa conferência pode resultar numa solução negociada, não temos nenhuma objecção", declarou o presidente em exercício do conselho de ministros da UE, Luís Amado, questionado pela Agência Lusa sobre a oportunidade de uma conferência internacional.
Responsáveis sérvios e kosovares reuniram-se frente a frente pela primeira vez a 28 de Setembro em Nova Iorque, numa ronda de negociações auspiciada pela ONU e mediada pela `troika` constituída pelos Estados Unidos, Rússia e União Europeia.
Há dois dias, numa entrevista a um jornal sérvio, o representante europeu na `troika`, o diplomata Wolfgang Ischinger, sugeriu a realização de uma conferência internacional sobre o Kosovo se "até ao fim de Novembro, houver matéria suficiente para negociar".
"O que acho importante é que este período seja aproveitado para esgotar criativamente as possibilidades de um compromisso", insistiu Luís Amado, acrescentando que antes de decidir organizar uma conferência internacional há que "avaliar exactamente em que termos é que a proposta é pensada".
"Acreditamos em negociações directas entre as partes (...) e no desenvolvimento do processo sob os auspícios da ONU. Enquanto estiver sob os auspícios e o mandato da ONU, não temos medo de falar com a outra parte", respondeu por seu lado o ministro dos Negócios Estrangeiros sérvio, Vuk Jeremic, à mesma questão.
"O importante é tentar e explorar todas as vias para chegar a uma solução de compromisso porque o objectivo principal é uma solução que assegure a paz e a estabilidade", acrescentou o ministro sérvio, que falou à Lusa após uma reunião em Lisboa com Luís Amado.
Sobre se a Sérvia vê sinais de possíveis compromissos, Vuk Jeremic recusou dar pormenores, limitando-se a repetir que Belgrado "espera que seja possível alcançar um compromisso" e considera as negociações directas como "um passo na direcção certa".
"Todos temos de investir muito numa solução de compromisso que vá ao encontro do nosso desejo de vivermos em paz e em prosperidade, plenamente integrados na UE", disse.
Sérvios e kosovares estão em lados opostos com os primeiros a defenderem que o futuro estatuto da província sérvia do Kosovo passe por uma autonomia alargada e os segundos a exigirem a independência.
O Conselho de Segurança, onde a Rússia apoia as pretensões da Sérvia, decidiu convocar novas negociações entre as duas partes e adiar uma decisão sobre o estatuto até 10 de Dezembro.