Lista derrotada vai pedir impugnação das eleições para a Academia de Coimbra
Coimbra, 11 dez (Lusa) - A lista A, liderada por Samuel Vilela, que perdeu as eleições para a Academia de Coimbra, vai pedir a impugnação do escrutínio, podendo levar o caso a tribunal no caso de um parecer negativo da comissão eleitoral.
Samuel Vilela anunciou hoje que a lista A (Mais Academia) decidiu "por unanimidade" fazer um pedido de impugnação da segunda volta das eleições para a Associação Académica de Coimbra (AAC), que decorreram entre 02 e 03 de dezembro, por irregularidades encontradas na urna 17, na Faculdade de Medicina, assim como "o extravio de 141 boletins de voto" não utilizados.
Segundo Samuel Vilela, as ocorrências foram observadas depois de a lista A procurar compreender "uma clara e anómala transferência do sentido de voto" da sua lista para a lista T, a lista vencedora, de Bruno Matias.
Nessa urna de Medicina, a lista A apenas conseguiu 94 votos na segunda volta, depois de 183 votos obtidos na primeira volta, tendo a lista T passado de 226 para 374 votos na segunda volta.
Bruno Matias, candidato pela lista T (Tu Tens Académica), venceu a segunda volta das eleições com 4.571 votos, contra os 4.224 (44%) de Samuel Vilela, da lista A (Mais Academia), que tinha vencido a primeira volta com 4.216 votos.
De acordo com o comunicado da lista de Samuel Vilela, na urna 17 surgiu uma variação de intenções de voto de menos 21% para a Lista A e de mais 26% para a lista T, sendo que a lista de Bruno Matias teve uma média de variação nas outras urnas entre 00% e 08% e a lista A entre menos 05% de votos e mais 06%.
"A ser um fenómeno de faculdade, ou do curso de Medicina, muito estranhámos que a mesma situação não se tivesse replicado também nas outras duas urnas" da faculdade, considerou Samuel Vilela.
Depois de encerrado o período de escrutínio, que termina hoje após a abertura dos votos por envelope, Samuel Vilela irá pedir a impugnação das eleições, tendo a Comissão Eleitoral uma semana para responder.
Caso o parecer deliberado pela Comissão Eleitoral seja negativo, há a possibilidade de recurso a tribunal, avançou Samuel Vilela à agência Lusa, à margem da conferência de imprensa realizada na sede de campanha da lista, no edifício dos serviços de ação social.
Samuel Vilela não pretende "lançar uma falsa acusação sobre o elemento da Comissão Eleitoral em causa, nem tirar ilações e alimentar teorias sobre o que realmente possa ter acontecido".
Contudo, sublinhou a necessidade de "apurar se existem motivos para repetir ou não o ato eleitoral total ou parcial".
O estudante salientou também que não quer "lançar qualquer tipo de suspeitas" da conduta da lista T, ao longo do ato eleitoral, não duvidando do seu "trabalho, empenho e dedicação".
A Comissão Eleitoral, através de um comunicado divulgado na terça-feira, assume a inexistência de irregularidades e diz que irá "encerrar o processo eleitoral com a abertura dos votos por envelope, ficando apenas a faltar a tomada de posse dos órgãos eleitos".