Lojas de animais mantém vendas mas temem quebra a curto prazo
A preocupação com a gripe das aves á chegou às lojas de animais que vendem pássaros e, apesar de não se registar uma diminuição na procura, os comerciantes receiam uma quebra a curto prazo.
Além de alguns peixes e tartarugas, na loja "Correia & Serpa", perto do Saldanha, em Lisboa, abundam dezenas de espécies de aves:
canários, periquitos, roseicollis e mandarins são dos mais vendidos e a procura parece não estar a ser afectada, a avaliar pela quantidade de clientes na loja.
"Ainda não senti consequências da gripe das aves mas provavelmente ainda vou sentir", disse à Agência Lusa Armando Gonçalves, proprietário da loja, adiantando que, caso a gripe chegue a Portugal, terá que despedir oito dos 12 funcionários.
O proprietário conta que alguns clientes habituais mostram sobretudo "curiosidade", fazendo perguntas sobre a possibilidade do vírus poder afectar as aves domésticas.
Também na loja "Quatro Patas", no Centro Comercial Colombo, uma das maiores preocupações das pessoas é certificar-se se os pássaros que têm em casa poderão vir a contrair a gripe.
Para uma responsável do estabelecimento, há falta de informação sobre o assunto, "a preocupação deve estar sobretudo na carne e nas aves migratórias e não nos pássaros domésticos, que dificilmente ficarão infectados com o vírus".
Os pássaros vendidos provêm de criações particulares em cativeiro e por isso não há razão para "alarmismos", assegurou.
Já na loja Panda Zoo, no Centro Comercial Fonte Nova, também em Lisboa, a situação é um pouco diferente. Um enorme papagaio azul e alguns periquitos amarelos são a oferta aviária disponível e que nos próximos tempos não irá aumentar.
"Não voltamos a comprar até a situação estar resolvida. As pessoas estão alarmadas", explicou uma empregada que teme que a falta de informação possa aumentar drasticamente o abandono das aves.
"Para sanar o problema é muito mais fácil abrir a janela e deixá-lo fugir", acrescentou.
Actualmente é proibida em Portugal a importação de aves de áreas afectadas pela gripe das aves assim como de alimentos.
A Direcção Geral de Veterinária determinou também, sábado passado, a proibição de mercados avícolas, espectáculos, exposições e eventos culturais nos quais se utilizem pássaros.
Já nos estabelecimentos não houve alterações. Agrela Pinheiro, director-geral de Veterinária e presidente da Comissão de Acompanhamento da Gripe Aviaria, assegurou hoje em conferência de imprensa que "não há nenhum impedimento de venda de aves em estabelecimentos comerciais".
O responsável esclareceu que as medidas já adoptadas têm em vista impedir a venda em locais onde não há condições de bio-segurança como, por exemplo, os mercados.