Louçã solidário com trabalhadores de limpeza do Porto
O candidato presidencial Francisco Louçã manifestou hoje solidariedade para com os trabalhadores municipais de limpeza do Porto que viram suspenso o subsídio nocturno que recebiam, o correspondente a um quarto do salário.
Embora a resolução do conflito entre os trabalhadores e a Câmara, que suspendeu o subsídio, esteja com os tribunais e fora do âmbito de acção do Presidente da República, Louçã afirmou aos jornalistas que "a solidariedade é uma obri gação tão ampla e universal quanto possível", após um encontro com membro da com issão de trabalhadores municipais.
Frente à câmara dirigida pela maioria PSD/CDS-PP, com Rui Rio à frente, Nuno Fonseca, da comissão de trabalhadores, explicou que a autarquia decidiu, c om base numa auditoria da Inspecção-Geral do Trabalho, retirar aos 600 trabalhad ores de limpeza um subsídio de risco que era pago "há trinta anos", e que repres enta um quarto de um salário que ronda os 600 euros.
Os trabalhadores já fizeram uma greve, no período natalício, e aguardam ainda por uma decisão do Tribunal Administrativo do Porto.
Nuno Fonseca acusou Rui Rio de "tentar sacudir a questão para a tutela" , acrescentando que "a luta vai continuar", desde já com a realização de um cord ão humano entre a Câmara e o Governo Civil do Porto.
Francisco Louçã reconheceu que a questão não tem directamente a ver com as competências do chefe de Estado, mas frisou que "tem a ver com o país" quand o pessoas que fazem, durante a noite, "um dos trabalhos mais duros que se pode i maginar, são atacados desta forma violenta".
"Seria inaceitável passar pelo Porto e não ouvir" a comissão de trabalh adores, disse o candidato apoiado pelo Bloco de Esquerda, afirmando que, caso fo sse eleito, "chamaria a atenção" de Rui Rio para a resolução do problema.
Numa manhã fria no Porto, aproveitada também por Cavaco Silva para faze r campanha na cidade, o que levou ao corte de trânsito em algumas ruas, Louçã pa ssou pela centenária Livraria Lello para assinar o Livro de Ouro e comprar a poe sia de Eugénio de Andrade.
Admitiu ainda ter folheado todos os livros sobre Cavaco Silva, embora não tivesse achado nenhum "particularmente fascinante".
"A forma como retratam o país é como quem vê de cima para baixo", justi ficou, ressalvando que gosta muito de alguns livros de outro adversário seu, Manuel Alegre, especialmente "Alma".