Luís Botelho quer Portugal sem "cidadãos de primeira e de segunda"

O candidato independente a Presidente da República Luís Botelho Ribeiro apresentou-se esta noite no Porto como defensor de um Portugal onde "não haja cidadãos de primeira e de segunda".

Agência LUSA /

"Portugal pode, dentro de uma geração, ser o país mais democrático da União Europeia", disse o candidato, alertando no entanto que para tal "é necessário que sejam eliminadas as barreiras colocadas ao exercício cívico dos portugueses".

"É preciso construir uma visão partilhada do país que somos e vamos ser. E o cargo de Presidente da República pode ter também essa transformação no sentido de ajudar a eliminar os absurdos do regime", disse.

O candidato, professor na Universidade do Minho, acusou o Presidente da República, Jorge Sampaio, de não ter ajudado a promover uma "cidadania de corpo inteiro", apesar de ter sido eleito "com base em algumas ideias fortes que defendia então".

"Prometeu que com ele não haveria cidadãos de primeira e de segunda, mas depois teve comportamentos contrários a esta máxima", acusou, exemplificando que a data das presidenciais foi acordada com apenas alguns dos candidatos.

"Esta é, por exemplo, uma das tais barreiras, não fundamentada em critérios civicamente aceitáveis. Não pode haver cidadãos mais iguais do que outros", acrescentou.

Luís Botelho Ribeiro falava na apresentação da sua candidatura, que decorreu num café do Porto frequentado maioritariamente por estudantes académicos.

O programa eleitoral do candidato inclui, segundo o próprio, "elementos que podem ser considerados de esquerda, como a participação cívica e a ecologia, e de direita, como a defesa dos símbolos nacionais e a dignidade individual do cidadão".

"Abarcamos várias bandas do espectro ideológico. Não é pela tradicional refracção da luz ideológica em direita e esquerda que se entenderá o nosso movimento. Ele é luz branca", disse este professor de Engenharia Electrónica.

Luís Botelho Ribeiro, 38 anos, afirma-se um "defensor radical do direito à vida" e opositor da interrupção voluntária da gravidez.

O candidato afirma já ter recolhido mais de 4.100 assinaturas das 7.500 necessárias para concorrer a Belém, apesar de motivos de carácter familiar terem quase parado o processo durante a última semana.

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