Luís Vilar diz-se inocente e aponta "falta de consistência" à acusação

O vereador socialista da autarquia de Coimbra, Luís Vilar, acusado pelo Ministério Público de cinco crimes, entre os quais um de financiamento partidário ilícito, afirmou-se hoje inocente, apontando falta de consistência à acusação.

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"Há falta de consistência da acusação, a montanha vai parir um rato" disse Luís Vilar à agência Lusa sobre o processo em que é acusado dos crimes de financiamento partidário ilícito, corrupção passiva para acto ilícito, tráfico de influências e abuso de poder.

Instado a explicar a alegada falta de consistência da acusação do MP, recusou alongar-se em comentários, frisando que todos esses elementos estão na posse do seu advogado [Castanheira Neves] "que está a preparar a defesa" e vai requerer a instrução do processo.

No entanto, argumentou que um alegado financiamento partidário ilícito de 10 mil euros "não cabe na cabeça de ninguém".

Luís Vilar é acusado de ter pedido e recebido aquele montante de um promotor imobiliário, destinado à campanha autárquica do PS em Coimbra, no ano de 2005, tendo ocultado a origem do donativo e omitido o financiamento ao mandatário financeiro da campanha socialista.

"Estou consciente da minha inocência. Nunca tive responsabilidades financeiras no PS de Coimbra, [a acusação] é uma coisa sem jeito nenhum", argumentou.

Considerou ainda "ridículo" o crime de corrupção passiva para acto ilícito de que também é acusado, alegadamente por ter recebido 50 mil euros de um administrador da Bragaparques - assumido por Vilar como um empréstimo entre dois amigos - para votar favoravelmente, na autarquia, propostas relacionadas com um parque de estacionamento.

"Um empréstimo de 50 mil euros, em 2002, para pagar um favor de 1999 parece-me ridículo", sustentou o líder concelhio do PS.

Manifestou ainda a intenção de requerer ao tribunal uma peritagem às suas contas: "Eu já a fiz, vou pedir que o tribunal a faça também", disse.

O vereador frisou que o processo judicial de que é alvo teve origem numa carta anónima que imputa, sem nomear, a opositores no PS de Coimbra, dizendo-se disposto a ir "até ao fim" para provar a sua inocência.

"Não basta escrever uma carta anónima e trazer para a praça pública a vida de um cidadão. Quero tudo esclarecido, quando disserem que foi um equívoco, quando for absolvido actuarei. Levo tudo até ao fim", afirmou.

Luís Vilar garantiu ainda que não vai suspender o mandato na autarquia de Coimbra, por se considerar inocente das acusações de que é alvo.

Caso decidisse fazê-lo, perderia o mandato, já suspenso anteriormente durante as investigações do caso.

"Reafirmo que a montanha vai parir um rato. Não vou perder o mandato estando consciente da minha inocência, vou continuar a exercer funções", concluiu.

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