Lusófona tem em marcha inquérito sobre mortes de seis alunos no Meco

A Universidade Lusófona, onde estudavam os seis alunos universitários que morreram a 15 de dezembro na praia do Meco, decidiu abrir um inquérito para esclarecer o que realmente aconteceu naquela noite. As diligências internas deverão ficar concluídas em 40 dias e serão realizadas pelo gabinete jurídico da instituição.

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Os familiares dos seis jovens que morreram na praia do Meco apelaram este fim de semana para que o único sobrevivente esclarecesse as famílias sobre as circunstâncias em que ocorreu a tragédia António Antunes, RTP

“A universidade determinou abrir um inquérito interno para aclaração dos factos que tiveram lugar no fim de semana em que ocorreram as mortes dos estudantes”, lê-se num despacho conjunto assinado pelo reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Mário Moutinho, e pelo administrador Manuel Damásio, divulgado pela agência Lusa.

A reitoria e a administração consideram que, “decorrida esta etapa de gestão da dor que atingiu tão fortemente as famílias das vítimas, e que também teve uma acentuada intensidade no país, este é o momento em que se impõe lançar luz sobre a génese do acontecimento, pelo que importa trabalhar no sentido do cabal esclarecimento do que aconteceu naquela noite na praia do Meco”.

O despacho atribui ao departamento jurídico da instituição “poderes bastantes para solicitar todos os documentos e informações com carácter para o desempenho destas funções junto dos serviços da universidade e da direção da associação académica”.

“Deverão todos os alunos e funcionários prestar a maior colaboração ao instrutor nomeado” acrescenta o despacho, que determina que o processo “deverá estar concluído dentro de 40 dias e as conclusões, depois de apresentadas aos órgãos académicos, serão objeto de divulgação pública”.

Carlos Poiares, vice-Reitor da Lusófona, revelou, em declarações à TSF, que com este inquérito a instituição quer perceber o que sucedeu na noite de 15 de dezembro na praia do Meco.

“Que as coisas se esclareçam, segundo um timing que depende, por um lado, do processo do inquérito, mas aqui dentro, nós achamos que não devemos ficar parados, embora não tenha sido dentro do nosso campus, embora não tenha sido nenhuma atividade promovida pela instituição, mas a verdade é que houve um acidente e que o choque que isso nos causou, implica que também nós queiramos perceber aquilo que sucedeu”, afirmou o vice-reitor da universidade Lusófona.

Segundo Carlos Poiares, a investigação que vai ser realizada pela universidade “não vai colidir com o tribunal, não é uma investigação criminal que aqui vai ser feita”.
Sobrevivente mantém silêncio
Os familiares dos seis jovens que morreram na praia do Meco apelaram este fim de semana para que o único sobrevivente esclarecesse as famílias sobre as circunstâncias em que ocorreu a tragédia.

“Gostaríamos que houvesse uma comunicação da parte do sobrevivente, no sentido de sabermos exatamente o que se passou naquela noite porque, até agora, nós não sabemos nada”, afirmava no domingo a prima de uma das vítimas no final de uma homenagem aos jovens que morreram no passado dia 15 de dezembro na praia do Meco.

No entanto, o estudante tem estado a receber apoio psicológico e o técnico que o acompanha considera que ele ainda não está em condições de prestar declarações sobre o que aconteceu na praia do Meco.

Os jovens que morreram faziam parte de um grupo de sete estudantes universitários que tinha alugado uma casa na zona para passar o fim de semana. Na madrugada de 15 de dezembro, uma onda arrastou-os para o mar, tendo sobrevivido um deles. Os corpos dos restantes foram encontrados nos dias que se seguiram.
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