Madeleine desapareceu há um mês da Praia da Luz

Madeleine McCann, uma menina inglesa de quatro anos, desapareceu faz este domingo um mês de um apartamento turístico na Praia da Luz, Algarve, onde dormia com os seus dois irmãos gémeos, enquanto os pais jantavam num restaurante próximo.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

A menina desapareceu numa quinta-feira à noite, cerca das 20:30, e quando foi dado o alerta pelos pais às autoridades policiais, a GNR enviou para o local uma equipa com cães para localizar a criança.

Na manhã seguinte ao desaparecimento de Madeleine Mccann, a GNR tinha enviado para a Praia da Luz cerca de 30 militares da GNR e duas equipas cinotécnicas (militares com cães), que estavam a ser apoiados por agentes da PSP de Lagos e inspectores da Polícia Judiciária de Portimão, por não estar posto de parte a possibilidade de um rapto.

Uma das críticas que veio a público nalguns jornais portugueses e britânicos foi o facto de as autoridades não terem alertado de imediato a zona da fronteira com Espanha, o que pode - caso se confirme a teoria de rapto - ter permitido ao sequetrador sair do País tranquilamente.

Ainda na primeira manhã a seguir ao desaparecimento da menina britânica, 04 de Maio, as edições electrónicas de jornais ingleses The Independent, The Guardian, The Sun, The Daily Express e The Daily Telegraph avançavam com a história da menina desaparecida de uma praia no Algarve, com alguns pormenores como o facto do pai ser médico cardiologista ou de residirem em Rothley, Leicestershire.

A cadeia televisiva inglesa Sky News, que enviou maior quantidade de jornalistas para a praia algarvia, informava na sua página na Internet que os pais de Madeleine, Kate e Gerry McCann, diziam tratar-se de um rapto "porque as janelas estavam arrombadas".

Nas primeiras 20 horas do desaparecimento da pequena Madeleine, a Embaixada Britânica estabeleceu contactos com a família Mccann e com as autoridades policiais portuguesas. O próprio embaixador do Reino Unido em Portugal deslocou-se ao Algarve para dar apoio à família.

O complexo turístico de onde Madeleine desapareceu não tinha qualquer sistema de vídeo vigilância, nem porteiro, nem seguranças, um facto que fez com que os responsáveis pelo Turismo no Algarve tenham vindo a público pedir aos empresários hoteleiros que reforçassem os sistemas de segurança.

Logo na manhã de 04 de Maio, os pais da pequena Maddie foram ouvidas pela Polícia Judiciária até às 17:20, enquanto que no terreno as várias forças de autoridade portuguesas empenhavam-se nas buscas da criança.

No mesmo dia, o jornal The Sun oferecia a primeira recompensa por informações que levasse ao paradeiro da criança, de 15 mil euros.

Polícia Marítima, Cruz Vermelha, bombeiros, GNR, PSP - bem como um helicóptero da Protecção Civil - foram envolvidos ao longo dos primeiros dias de buscas no terreno, numa operação que envolveu cerca de 150 pessoas, além dos inspectores da Polícia Judiciária que eram mais de 100.

Às buscas policiais juntaram-se dezenas de populares, especialmente turistas e residentes estrangeiros na zona.

Também nesta altura iniciaram-se os apelos dos pais de Madeleine: pediam a quem tenha levado a menina para que a entregue à família sã e salva.

A Polícia Judiciária (PJ), autoridade que ficou responsável pelo caso Madeleine, deu a sua primeira conferência de imprensa apenas ao terceiro dia do desaparecimento da criança, dia 05 de Maio, ao final da manhã.

Um responsável da PJ de Faro anunciou que tinham sido reunidos elementos "que asseguram o rapto" e que na origem do crime poderia estar tanto um resgate como a prática sexual.

As várias dezenas de jornalistas portugueses, britânicos, espanhóis, franceses e mesmo da Noruega ou na imprensa chinesa ajudaram a que o caso do desaparecimento de Madeleine se transformasse no maior exemplo mediático de que há memória na história do desaparecimento de crianças.

A onda de solidariedade pelo mundo - através da publicação na Internet de milhares de fotos de Maddie - gerou um fundo financeiro que em 25 de Maio já chegava a 3,5 milhões de euros a quem fornecesse informações sobre a criança loira e olhos claros.

Kate e Gerry, ambos médicos, católicos, nunca abandonaram a Praia da Luz excepto para realizar acções em Fátima, no Vaticano ou em Madrid para não deixar esquecer o desaparecimento da filha.

Ao longo do mês fizeram várias declarações públicas a agradecer o apoio da população, a pedir orações por Maddie e a afirmar que acreditavam nas polícias portuguesas e inglesas.

O caso também motivou o apoio de figuras públicas, incluindo no desporto.

Cinco dias depois do desaparecimento da menina inglesa o futebolista internacional português Cristiano Ronaldo apelou pela televisão oficial do seu clube, o campeão inglês Manchester United, a quem tivesse informações sobre Maddie que as desse às autoridades.

David Beckam, um dos mais carismáticos futebolistas ingleses, fez o mesmo apelo.

Vigílias e missas anglicanas e católicas foram outras iniciativas em que o casal McCann participou, que também decidiu criar um sítio com a morada electrónica www.findmadeleine.com, onde estão imagens da menina e um blog do pai alimentado com conteúdos diários.

Passado um mês de buscas no terreno, investigações da Judiciária e mais de 100 pessoas inquiridas, assim como várias conferências de imprensa tanto dos pais de Madeleine, como das autoridades, o único arguido neste caso é um cidadão inglês.

Robert Murat, empresário a residir na Praia da Luz e fluente na língua portuguesa, foi constituído arguido no dia 15 Maio.

Murat chegou a servir de intérprete entre a família e as autoridades nos primeiros dias a seguir ao desaparecimento de Madeleine McCann e tem uma casa a escassos 100 metros do apartamento do complexo turístico Ocean Club, na Praia da Luz.


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