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Madrid nega discrepância sobre quantidade de explosivos

Madrid nega discrepância sobre quantidade de explosivos

O Ministério espanhol do Interior diz que não há qualquer discrepância com Portugal em relação à quantidade de explosivos encontrados na vivenda alegadamente usada pela ETA em território português. De acordo com as autoridades espanholas a diferença de números explica-se com a forma diferente de fazer os cálculos.

RTP /
Membros da polícia portuguesa inspeccionam o material encontrado na vivenda de Avarela, próximo de Óbidos Paulo Cunha, Lusa

Em Lisboa, um comunicado conjunto dos ministérios da Administração Interna e da Justiça apontaram para cerca de 800 quilos de explosivos encontrados, tratando-se de meia tonelada de nitrato de amónio e de 300 kg de "engenhos explosivos".

Estes números são contrariados pelo cálculo espanhol, que havia referido no sábado através de um comunicado do Ministério do Interior terem sido encontrados 1500 kg de explosivos na vivenda perto de Óbidos.

Este domingo, fonte do ministério espanhol veio já explicar que a diferença nos números apresentados pelos dois países se devem ao facto de as autoridades portuguesas apenas terem contabilizado "o material que estava misturado e pronto a utilizar", quando Espanha "teve em conta todo o material que serve para fabricar explosivo".

Acrescenta Madrid que no comunicado do Governo português apenas é referido o nitrato de amónio, tendo no entanto sido encontrado "material diverso, passível de ser utilizado na construção de engenhos explosivos".

Nesta lista substâncias Madrid coloca o pó de alumínio, a pentrita, ácido sulfúrico e nitrato de potássio, substâncias que, garante, a ETA usa na elaboração dos seus explosivo e que, somadas às quantidades referidas pelas autoridades portuguesas, perfazem os 1500 kg.

Na garagem anexa à vivenda dos arredores de Óbidos terão sido encontrados 1330 quilos de nitrato de amónia em 12 bidões e quatro sacos, material utilizado na produção de explosivos. Foram também encontrados em três sacos 75 kg de nitrato de potássio, 40 litros de ácido sulfúrico, pentrita, pó de alumínio e nitrometano, um ingrediente utilizado pela organização separatista basca para a produção do explosivo amonitol.

As forças policiais portuguesas começaram por referir a existência de 500 quilos de explosivos na residência. Mais tarde diriam haver pelo menos 700 quilos.

Base estaria operacional
De acordo com o Ministério espanhol do Interior, foram ainda encontrados dois computadores portáteis, documentação relativa à casa dos arredores de Óbidos e documentos de identificação pessoal, que permitiram identificar dois presumíveis operacionais da ETA: Andoni Zengotitabengoa Fernández, que se encontra fugido desde Janeiro de 2003, depois de ter sido condenado, em 2000, a 13 anos de prisão por violência urbana, e Oier Gómez Mielgo, condenado em 2001 a dois anos de detenção num centro de reabilitação por ter armadilhado uma viatura da polícia em Vitória, Alava.

Mapas de Madrid, Cádiz, do Norte de Portugal e da região de Coimbra encontravam-se também no interior da vivenda - assim como uma caixa com três telefones etiquetados de "Madrid", "Portugal" e "Cádiz", horários de autocarros para esta cidade, uma máquina fotográfica, um telemóvel, papéis manuscritos sobre circuitos, impressos com o anagrama da ETA, e um disco digital.

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