Magistrada Cândida Vilar refuta ter violado deveres funcionais e diz que foi saneada

Lisboa, 02 abr (lusa) - A magistrada Cândida Vilar refutou hoje ter violado quaisquer deveres funcionais, tal como é referido na queixa que diz ter estado na origem do seu afastamento do cargo de diretora da Unidade de Combate ao Crime Violento.

Lusa /

Contactada pela Lusa na sequência de notícias hoje publicadas na imprensa sobre o seu afastamento do cargo, Cândida Vilar confirmou ter sido afastada na sequência de uma queixa do diretor da PJ à Procuradoria-Geral da República (PGR) relacionada com um caso de tráfico de droga.

Cândida Vilar disse ter conhecimento da queixa do diretor da PJ, Almeida Rodrigues, feita à PGR, em que é dito que a magistrada violou os seus "direitos funcionais" num processo de tráfico de droga que foi entregue à PSP, quando a competência de investigação é da PJ.

A magistrada refuta que tenha violado quaisquer deveres funcionais e lembra que a queixa resulta de questões não resolvidas pela Lei de Organização da Investigação Criminal (LOIC) sobre as diferentes competências da GNR, PSP e PJ.

Cândida Vilar explicou que a sua saída da direção daquela unidade do Departamento de Investigação e Ação penal (DIAP) de Lisboa consta de uma "circular" emitida para todas as polícias pela diretora do DIAP, Maria José Morgado.

Um dia antes (segunda-feira), Maria José Morgado comunicou pessoalmente a Cândida Vilar o seu afastamento do cargo, invocando queixas das polícias.

Cândida Vilar entende que o seu afastamento foi "saneamento", nos moldes pós-25 de Abril, tendo transmitido essa ideia à diretora do DIAP de Lisboa, que, disse, ficou "ofendida" com a observação.

A magistrada estava à frente da Unidade de Combate ao Crime Violento desde 2008, mas a sua ligação à área criminal, através do MP e do DIAP, remonta a 1985. "No Name Boys", a "Máfia da Noite" e o caso que levou Mário Machado e vários outros skinheads a julgamento foram alguns inquéritos que tiveram a sua marca.

 

 

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