Mais de 50% das freguesias do país afetadas - Anafre
Mais de 50% das 3.259 freguesias do país foram afetadas pela depressão Kristin, revelou hoje a Associação Nacional de Freguesias (Anafre), relatando "muitos estragos" em habitações, empresas e áreas florestais, sobretudo nos distritos de Leiria e Coimbra.
"Há muitas juntas de freguesia, como não podia deixar de ser, a desenvolver trabalhos para proteção, salvaguardando bens e até casas das pessoas", afirmou o presidente da Anafre, Jorge Veloso (PS), em declarações à agência Lusa.
Realçando que as freguesias têm um "conhecimento profundo" do território, Jorge Veloso sublinhou que as juntas são "a primeira porta que se abre para que possa haver, para as populações, uma resposta rápida", apesar de terem meios reduzidos em comparação, por exemplo, com as câmaras municipais e as comunidades intermunicipais.
"É uma situação, por vezes, de uma dimensão tal que é difícil a freguesia responder rapidamente, porque são centenas de árvores, são habitações, são telhados que voaram. Temos uma série de situações que não conseguimos resolver à primeira, [...] nem as câmaras municipais conseguem, quanto mais as juntas de freguesia. No entanto, tentamos dar o melhor encaminhamento possível a todas as situações que nos são transmitidas", declarou.
Questionado sobre o universo de freguesias afetadas pela depressão Kristin, sobretudo com ventos fortes, chuva e agitação marítima, o presidente da Anafre disse que ainda não dispõe desse levantamento, "mas pelo menos mais de 50% das freguesias estão a ser neste momento envolvidas nesta situação, mais de 50% com certeza".
O também ex-presidente da União de Freguesias de São Martinho e Ribeira de Frades, em Coimbra, referiu que "há muitos estragos em termos de habitações, em termos também de floresta", com especial incidência nos distritos de Leiria e Coimbra.
"Foi uma situação anómala, mas que provocou e continuará a provocar, se as condições do tempo não melhorarem, este tipo de situação, até porque neste momento nos deparamos com outro problema, que é a questão das inundações: há efetivamente barragens que estão neste momento a descarregar ou estão a começar a descarregar. Isso implicará que os terrenos, como estão já completamente encharcados com água, não consigam receber mais água proveniente das barragens", alertou.
Jorge Veloso indicou que a possível ocorrência de inundações poderá provocar "prejuízos incalculáveis".
Sobre se há mais freguesias como a das Meirinhas, no concelho de Pombal, que antecipou hoje prejuízos na ordem dos 500 milhões de euros, o presidente da Anafre respondeu: "Com certeza que sim [...], vai haver com certeza muitas mais a reivindicarem também o apoio urgente para as habitações, para as pessoas afetadas, para as unidades industriais. Vai haver muita freguesia que irá envolver-se nesta situação."
"Esses 500 milhões de euros que a junta de freguesia está a reivindicar são com certeza para fazer face a todos os prejuízos causados, [...] é para todas as unidades industriais, habitações, etc.", explicou.
Sobre se a depressão Kristin foi pior do que o furacão Leslie, registado em outubro de 2018, Jorge Veloso contou que viveu as duas situações e "esta foi mais grave": "Na zona do território onde vivo, que é Coimbra, considero que esta foi mais grave."
Relativamente ao Governo ter decidido decretar a situação de calamidade "nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin", considerou que é importante para "se estabelecerem prazos a cumprir" relativamente à reposição da normalidade, em particular no reabastecimento de eletricidade, gás e comunicações.
"Há situações que são urgentes de resolver", reforçou Jorge Veloso, afirmando que as freguesias estarão também envolvidas na resposta no âmbito da situação de calamidade.
A Anafre realiza o seu Congresso eletivo em Portimão, no distrito de Faro, entre sexta-feira e domingo, mas o autarca afastou o registo de problemas devido ao impacto do mau tempo.
"O Congresso não vai ser adiado, com certeza que não. Poderá haver uma ou outra desistência, mas não contamos que seja muito grave", indicou.
A disponibilidade das freguesias para colaborarem na resposta aos danos provocados pelo mau tempo será também manifestada na reunião magna destas autarquias, frisou Jorge Veloso.
A passagem da depressão Kristin pelo território português, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.