Mais de 500 portugueses alegadamente explorados em Espanha

Um conselheiro das Comunidades Portuguesas revelou que mais de 500 portugueses a trabalhar na construção civil no País Basco, Espanha, estão a ser explorados pela entidade patronal e a viver em alojamentos colectivos sem condições.

Agência LUSA /

Manuel Beja, responsável pelo pelouro da Acção Social do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) - órgão de consulta do Governo em matéria de emigração - disse à Lusa que "mais de 500 portugueses estão a trabalhar 12 horas por dia, sem direito a fins-de- semana, feriados ou férias, e com baixos salários".

De acordo com números fornecidos por um sindicalista da Confederación Sindical de Comisiones Obreras (CC.OO), que está a acompanhar o caso, os portugueses estão a receber menos de metade dos colegas espanhóis.

Contactado pela Lusa, o sindicalista indicou que um trabalhador espanhol recebe 1.350 euros por mês, enquanto um português tem direito a apenas 480 euros mensais.

Em causa estão portugueses "contratados por empresas nacionais e sub-contratados a empresas espanholas para trabalharem na construção de vivendas na zona de Vitória, no País Basco", disse Manuel Beja à Lusa, adiantando desconhecer quais as empresas que contrataram os portugueses.

Segundo o conselheiro, a diferença salarial deve-se ao facto de os salário dos portugueses estarem a ser pagos de acordo a tabela salarial portuguesa, que é muito mais baixa do que a de Espanha.

Manuel Beja alertou ainda para as condições de alojamento a que os trabalhadores portugueses estão sujeitos.

"Aqueles trabalhadores estão a dormir em imundos alojamentos colectivos", que também servem de refeitório, disse.

O conselheiro mostrou-se muito "preocupado" com a situação, que classifica de "barbaridade completa", e adiantou à Lusa que vai nas próximas semanas ao País Basco para se inteirar do caso.

"Além de ir ver como vivem e trabalham aqueles portugueses, vou também agendar uma reunião com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Carlos Gonçalves, para lhe apresentar directamente este assunto", acrescentou.

Contactado pela Agência Lusa, o cônsul de Portugal em Bilbao, José Manuel Lomba, afirmou que vai reunir-se na próxima semana com uma delegação do sindicato, adiantando que "a situação é muito complexa e confusa", com informações contraditórias acerca dos portugueses.

"Têm saído várias notícias a denunciar casos de baixos salários e más condições, mas o consulado não tem queixas de qualquer trabalhador", afirmou o cônsul.

Entretanto, a Confederación Sindical de Comisiones Obreras começou a distribuir panfletos em português com informação sobre os direitos dos trabalhadores em Espanha.

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