Mais de metade dos jovens já acedeu a sites sobre sexo

Mais de metade dos jovens que participaram num estudo sobre Internet admitiu que já acedeu a sites de sexo e os rapazes são, segundo os dados recolhidos, os principais "consumidores" de páginas pornográficas.

Agência LUSA /

O estudo, cujos dados preliminares a Agência Lusa teve acesso, será divulgado no simpósio "Sexualidade e Saúde Sexual", que decorre quinta e sexta-feira no Instituto Superior de Ciências da Saúde-Sul (Monte da Caparica).

Foram questionados 318 jovens com uma idade média de 20 anos, 68 por cento dos quais mulheres, e que na esmagadora maioria dos casos utilizam a Internet há vários anos (quatro em média).

Com 93 por cento a dizer que usa a Internet em casa, é assim suposto que é em casa que mais de metade desses jovens, 52,6 por cento, acede a sites com conteúdos na área da sexualidade, nomeadamente os homens, com 80 por cento a admitir que o faz.

As mulheres, salienta o trabalho, preferem sites informativos sobre sexualidade e os homens escolhem o erotismo e a pornografia, nomeadamente para se excitarem e masturbarem.

Do total de inquiridos, 11 por cento admitiu que já se envolveu afectiva ou sexualmente com alguém que conheceu num "chat" (conversa em tempo real), enquanto quatro por cento já falou de sexo, alguns enviando ou recebendo fotografias (ousadas) ou usando câmaras (webcam).

Uma percentagem menor, 2,5 por cento, disse mesmo que já frequentou "chats" só de sexo virtual.

Os números não surpreenderam o coordenador do estudo, o psicólogo clínico e sexólogo Jorge Cardoso, que acredita que os dados poderiam ser diferentes (superiores) não fosse a maior percentagem dos inquiridos mulheres.

Reconhecendo que as relações sexuais virtuais são cada vez mais frequentes, o especialista explicou que elas se devem fundamentalmente ao anonimato que permitem, à solidão, mas também "à falta de tempo que as pessoas sentem cada vez mais, incluindo para o prazer sexual".

"A Internet está à distância de meia dúzia de `cliques`, e esta adesão não é uma patologia, é um retrato dos tempos, e para quem está só é uma mais valia", defendeu, em declarações à Lusa.

Rute Reizinho, psicóloga e mestre em sexualidade humana, disse à Lusa que o que mais a surpreendeu foi a facilidade com que os jovens admitiram a relação Internet/sexo, negando que ela possa ser perniciosa.

"Poderá ser uma doença quando as pessoas abdicarem de uma vida social para se dedicarem à Internet", alertou.

O simpósio "Sexualidade e Saúde Sexual" vai discutir em dois dias cerca de um dúzia de temas, com especialistas a debater desde a educação sexual às perturbações e disfunções.

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