Marcha pela "vida independente" apela a mais centros de apoio

Marcha pela "vida independente" apela a mais centros de apoio

O vice-presidente do Centro de Vida Independente, Mário Gonçalves, exigiu hoje ao Governo, no Porto, a abertura de mais vagas nos centros de apoio, durante uma marcha que juntou meia centena de pessoas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Se as vagas nos Centros de Apoio à Vida Independente estão bloqueadas, só lhes resta, por exemplo, ser internadas em lares. E é contra isso que nós nos batemos", declarou Mário Gonçalves, que participou hoje na 9ª edição da Marcha pela Vida Independente, que reuniu esta tarde meia centena de pessoas na Praça D. João I, na Baixa do Porto.

No local, os manifestantes exibiam cartazes onde se liam frases como "Mulher com deficiência é resistência", "Sem acessibilidade não há liberdade", "Assistência sexual em liberdade", "Viver não é só respirar", "Apoio às famílias, respeito, nem dócil nem dependente".

O vice-presidente da Associação Centro de Vida Independente - uma Instituição Particular de Solidariedade Social e Organização Não-Governamental para pessoas com deficiência que agrega cerca de 400 associados, apelou ao governo para que apoie a "abertura de mais vagas" nos Centros de Apoio à Vida Independente e a "atribuição de mais horas" para o pessoal dos centros.

Atualmente, disse, existem em Portugal 35 Centros de Apoio à Vida Independente, uma resposta social que existe desde 2019, sublinhando que, segundo os dados oficiais, "10% da população em Portugal", cerca de um milhão de cidadãos, são pessoas que apresentam alguma deficiência.

"Em 2019 foi um projeto-piloto com financiamento de fundos europeus, agora é uma resposta social, efetiva e de pleno direito, portanto, como qualquer outra ao nível ministerial. Portanto, era desde logo um pedido e uma reivindicação também. Eu diria até mesmo uma exigência da comunidade", declarou.

A Marcha pela Vida Independente também reivindica ao poder governativo a aplicação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência que foi ratificada pelo Estado português em 2009.

"O grande problema desta comunidade é que ainda é vítima da sua própria invisibilidade (...). O paradigma da vida independente, a filosofia da vida independente, nasceu em Berkeley em 1972, dentro das universidades e nós percebemos que mesmo no Centro de Vida Independente (CVI), que geralmente são pessoas que têm o ensino superior, nós percebemos que muitos dos nossos não conseguem ter, justamente porque não têm assistência pessoal, o devido apoio (...). Depois as pessoas com maiores incapacidades só têm uma resposta, isto é, não têm direito à opção.

O vice-presidente acrescentou que está preocupado com a atual ascensão da direita, sobretudo da extrema-direita.

"É uma grande preocupação para a comunidade. Repare-se que no tempo da `troika´ - Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - que supervisiona as contas públicas, as primeiras pessoas a sofrerem foram as pessoas com deficiência, com cortes nos produtos de apoio, por exemplo. E se nós não tivermos os devidos produtos de apoio, nestes símbolos que são da libertação, que é uma cadeira de rodas desde logo não podem fazer as suas vidas".

Catarina Vitorino, 31 anos, em cadeira de rodas, também esteve presente na Marcha pela Vida Independente no Porto para exigir "acesso a todas as áreas da vida, de uma vida banal (...) Acesso a uma vida livre".

"Queremos ter o acesso livre a todo o país. Também a uma vida profissional, uma vida relacional. Queremos ter uma identidade", disse.

A Marcha pela Vida Independente no Porto terminou na zona da Trindade, com música na rua junto da Estação de Metro.

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