Marés cheias com ondas de 5 metros criam mais perigo para dunas da Costa da Caparica

Marés cheias com cerca de três metros e ondas que irão atingir os cinco metros na sexta-feira poderão pôr em risco os trabalhos de reposição das dunas na Costa de Caparica, que têm sido efectuados pelo Instituto Nacional da Água.

Agência LUSA /

O Instituto Hidrográfico espera marés cheias com uma amplitude de cerca de três metros na Costa de Caparica para os próximos dias, o que conjugado com o tamanho das vagas, que vão atingir os cinco metros na sexta-feira, poderá trazer problemas na execução dos trabalhos de reposição da duna que ficou parcialmente destruída em Dezembro.

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, António Neves, mostrou-se convencido de que com esta altura de ondas "a situação vai ser complicada, visto que se esperam marés muito fortes nos meses de Fevereiro e Março".

Uma situação que o autarca diz prever desde Dezembro, quando as obras de emergência levadas a cabo pelo Instituto da Água (INAG) foram iniciadas, apesar de defender que esta foi a opção adequada para a situação de emergência que ocorreu nessa altura.

"Eu espero sinceramente que este cordão dunar artificial aguente as investidas dos próximos dias, apesar de continuar a defender que esta não pode ser a solução final", declarou António Neves.

As obras de reposição das dunas, que se estendem numa zona de cerca de mil metros, terminarão em Março e terão um custo total de cerca de 400 mil euros. A partir dessa data, e assim que o estado do tempo o permita, o INAG avança com uma obra de fundo de alimentação artificial das praias com cerca de três milhões de metros cúbicos de areia.

No entanto, esta obra de fundo não é vista com muito bons olhos pela Junta de Freguesia. António Neves considera que a reposição de areias nas praias mais a sul, "provavelmente não resolverá o problema que temos a norte, nas praias de São João, onde a situação é mais crítica".

O preenchimento artificial da zona subaquática entre a Cova do Vapor e o Bugio, para criar um esporão submerso, tem sido a solução apontada pela Junta de Freguesia e pela Câmara Municipal de Almada como solução de engenharia pesada para a recuperação das praias do Norte.

Um pedaço de areia que "existiu há uns anos" mas que foi alvo de extracção nas décadas de 50 e 60 para alimentação artificial da praia de Carcavelos, junto a Lisboa.

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