Mariano Gago foi "mais do que um político" e "mudou o país"

Os professores universitários Carlos Fiolhais e Filipe Duarte Santos recordam a importância científica e política de Mariano Gago, hoje desaparecido, aos 66 anos de idade, por doença.

RTP /
Mariano Gago REUTERS/José Manuel Ribeiro

Mariano Gago foi ministro da Ciência e da Tecnologia, de 1995 a 2002, do XII e XIII Governos Constitucionais, liderados por António Guterres, e ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em novos governos do Partido Socialista, desta vez com José Sócrates como primeiro-ministro, de 2005 a 2011.

Licenciou-se em Engenharia Eletrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico, em 1971, onde mais tarde foi professor catedrático, e doutorou-se em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, em 1976.

O ex-ministro foi um dos responsáveis pela criação da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, gestora da rede de Centros Ciência Viva e publicou vários trabalhos, entre os quais "Homens e Ofícios" (1978, 1982) e "Manifesto para a Ciência em Portugal" (1990).

Na obra "O futuro da cultura científica" (1994) defendeu a ciência e a tecnologia como bases para o desenvolvimento humano, social e civilizacional.

O grande prestígio de que desfrutava no meio académico precedeu a sua entrada na política, por convite de António Guterres.

Olhando para o legado de Mariano Gago enquanto governante, o professor universitário Carlos Fiolhais, também físico, considera o antigo ministro hoje falecido como "um dos poucos políticos da sua geração que mudaram o país".


"Chocado e entristecido" pela notícia da morte de Mariano Gago, o professor universitário Filipe Duarte Santos, físico e especialista em Ambiente, lembra "um cientista de grande valor", uma "pessoa dedicada à causa pública".


Nascido em Lisboa, em 1948, José Mariano Rebelo Pires Gago morreu esta sexta-feira, aos 66 anos. A jornalista da Antena1 Andreia Brito traça o perfil do cientista e político.

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