Marinha resgatou hoje mais de 130 pessoas afetadas pelas cheias
Mais de 130 pessoas afetadas pelas cheias, devido à passagem das depressões Kristin e Leonardo, foram hoje resgatadas pela Marinha em diversas regiões de Portugal continental, revelou a Autoridade Marítima Nacional (AMN).
Em comunicado, a AMN indica que, face ao aumento do nível das águas, devido à chuva intensa dos últimos dias, nomeadamente em Alcácer do Sal e em Leiria, os militares da Marinha resgataram 132 pessoas que estavam "isoladas por causa das cheias, com recurso aos botes anteriormente posicionados para apoio imediato à população nas zonas ribeirinhas".
Durante as operações foram também resgatados 15 animais em Leiria, acrescenta a AMN.
Ainda segundo a AMN, até ao momento a Marinha já apoiou mais de 2.300 pessoas e reparou mais de 40 habitações e edifícios públicos, na sequência do mau tempo que tem afetado Portugal continental na última semana.
Ainda no âmbito da resposta da Marinha às situações provocadas pelo mau tempo, foram também desobstruídos cerca de 16 quilómetros de estrada no distrito de Leiria e recolhidos mais de 137 toneladas de detritos do rio Lis.
"A Marinha mantém 44 botes prontos e posicionados para apoio imediato à população nas zonas ribeirinhas com risco de cheias", lê-se na nota.
Assim, oito botes estão posicionados em Ovar para atuar nos rios Vouga e Douro, quatro botes estão em Leiria caso seja necessário intervir no rio Lis e outros oito botes estão posicionados em Tancos para atuar no rio Tejo.
Dez botes estão destinados ao rio Sorraia, posicionados em Coruche e Benavente, dois botes para atuar no rio Sado estão posicionados em Alcácer do Sal, existindo ainda quatro botes "prontos para atuar no rio Tejo".
"Além disso, a AMN, através do departamento marítimo e do comando regional da Polícia Marítima do Sul, mantém uma presença reforçada de pessoal e meios, com um total de três embarcações nas margens do rio Guadiana, em Vila Real de Santo António, tendo apoiado 18 embarcações até ao momento", é acrescentado.
A AMN indica ainda que continua com a Marinha a aumentar, "de forma gradual e de acordo com a avaliação efetuada junto das autarquias", o pessoal e meios no local.
Até ao momento estão empenhados cerca de 480 militares, militarizados e agentes da Polícia Marítima, 61 viaturas, 47 embarcações, quatro geradores e 17 drones, além de um helicóptero em prontidão, indica a AMN.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 de fevereiro para 68 concelhos, voltando hoje a ser prolongada até 15 de fevereiro.