Marinho Pinto aponta dedo à prática duvidosa de uma minoria de advogados

O bastonário da Ordem dos Advogados lamentou esta quarta-feira a "prática de ilegalidades gravíssimas" de uma "minoria" de causídicos. António Marinho Pinto aproveitou o Dia do Advogado para retomar a denúncia da véspera aos microfones da TSF, o que considera ser uma obrigação em nome do prestígio da profissão.

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Há advogados que "andam por ai a propalar valores, a falar como se fossem a reserva moral da advocacia" quando "andam a contas com a Justiça" RTP

"O Dia do Advogado é um dia óptimo para dizer isso. É o dia adequado para fazer essa denúncia e dizer ao povo português que pode confiar na maioria dos advogados", declarou Marinho Pinto, atribuindo à sua Ordem a tarefa de denunciar essa minoria que pratica "ilegalidades".

Na declaração à margem da sessão comemorativa, que decorreu no salão da Câmara Municipal de Portalegre, o bastonário da Ordem dos Advogados retomou as denúncias da véspera na TSF, quando referiu "indícios de que alguns advogados ou alguns escritórios são quase especialistas em ajudar certos clientes a praticar determinado tipo de delitos, sobretudo na área do delito económico".

Instado pelos jornalistas a concretizar as acusações, Marinho Pinto disse que os casos são "do conhecimento da opinião pública".

O dever de separar o trigo do joio

O bastonário desdramatizou a dimensão do problema, procurando explicar aos jornalistas que as más práticas estão confinadas a uma minoria, quando a maioria dos profissionais de advocacia são "advogados honrados".

"Há maus advogados como há maus jornalistas, médicos ou magistrados, como há maus políticos e governantes. Isto não é novidade nenhuma e é dever de cada um de nós, principalmente do bastonário, denunciar as situações em que advogados usam e abusam dos seus direitos e das suas prerrogativas em desfavor e detrimento de terceiros, em desfavor da legalidade e do Estado de Direito", considerou Marinho Pinto.

É neste sentido que o bastonário reserva para a Ordem a obrigação e a coragem de denunciar publicamente "estas situações", de forma a "tranquilizar quem age correctamente e intranquilizar quem comete esse tipo de ilícito e ilegalidade". As suas denúncias, defendeu Marinho Pinto, acabam por "defender os advogados honrados, que são a maioria".

"Alguns estão presos, outros fugiram para o estrangeiro"

Entre esse grupo minoritário que mereceu os reparos do bastonário, Marinho Pinto apontou causídicos de escritórios de advogados que "andam por ai a propalar valores, a falar como se fossem a reserva moral da advocacia" quando "andam a contas com a Justiça por suspeitas de práticas de ilegalidades gravíssimas".

"Noventa e nove vírgula nove por cento dos advogados são honrados, não merecem estar a ser tratados pela opinião pública como se fossem iguais a uma minoria que anda aí a abusar descaradamente das suas prerrogativas e que auxiliam alguns clientes a cometer crimes", lamentou.

No contacto com os jornalistas à margem das comemorações do Dia do Advogado, o bastonário contornou sempre o desafio para apontar os casos concretos que perpassavam pelo seu discurso, deixando apenas que "alguns estão presos, outros até fugiram para o estrangeiro, outros estão a contas com a Justiça, outros estão condenados a prisão efectiva e esperam que as decisões transitem em julgado".

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