Mário Soares recebe com "tristeza" notícia da morte de militar
O candidato a Presidente da República Mário Soares recebeu hoje com "tristeza" a notícia da morte de um militar português no Afeganistão, mas não esclareceu se defende a retirada das tropas portuguesas daquele país.
"Fico muito triste [com a notícia da morte do militar português]", diss e Mário Soares, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com repre sentantes de diversas comunidades religiosas.
Lembrando que uma missão como aquela que as tropas portuguesas estão a desenvolver no Afeganistão "envolve sempre riscos", Mário Soares admitiu que nun ca gostou que "eles fossem para lá".
Questionado sobre se, na sequência deste acidente, o Governo deveria or denar a retirada das tropas portuguesas do Afeganistão, o candidato apoiado pelo PS disse não poder "dar já essa opinião".
"Não posso dar já essa opinião. Aliás, [a retirada das tropas] até podi a ser entendida como um acto de cobardia. Os militares quando vão para essas mis sões sabem os riscos que correm", afirmou.
"Vamos pensando nisso. Aliás, até já devíamos estar a pensar", acrescen tou, defendendo a realização de um "debate nacional" sobre a questão da retirada das tropas.
Mário Soares recordou, contudo, que à missão dos militares portugueses no Afeganistão estão subjacentes "compromissos internacionais sérios" que Portug al assumiu perante a NATO.
"Aliás, tínhamos essa obrigação como país membro da NATO", sublinhou, l embrando que "a guerra no Afeganistão foi feita com o aval da NATO".
O candidato a Presidente da República fez, contudo, questão de recordar um artigo intitulado "Um precedente perigoso" que escreveu e que foi publicado no jornal Público, após a invasão do Afeganistão.
"Marquei aí a minha posição de discordância. Mas foi assim que foi deci dido", disse, referindo à invasão daquele país.
Mário Soares alertou ainda para que a questão do Afeganistão estar "ain da longe de ser resolvida, ao contrário do que diziam aqueles que já lançavam fo guetes", considerando que a guerra no Iraque "deu um novo impulso ao terrorismo" .
Um militar do exército português morreu hoje no Afeganistão devido a um a explosão que atingiu a patrulha em que seguia com outros três soldados.
Um comunicado do Ministério da Defesa português precisou que a explosão se deu cerca das 7:30 (hora de Lisboa), "durante uma missão de patrulha em Cab ul", na qual "uma viatura com quatro militares portugueses foi atingida".
Ao todo, estão no Afeganistão 196 militares portugueses, incluindo quat ro no quartel-general e sete que desempenham a função de controladores aéreos avançados.