Marques Mendes aplaude aprofundamento de debate defendido por Cavaco Silva
O líder do PSD, Marques Mendes, aplaudiu as declarações do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que sexta-feira defendeu um aprofundamento das análises sobre a rentabilidade de grandes obras previstas para o país, como o TGV.
"É uma atitude de bom-senso que merece ser acolhida", disse Marques Mendes, comentando a sugestão de Cavaco Silva.
Em declarações à TSF quando participava, em Santa Maria da Feira, numa homenagem póstuma ao deputado social-democrata Manuel Oliveira, o líder social-democrata defendeu que "projectos como o TGV e a Ota podem significar rios de dinheiro, numa altura em que Portugal aperta o cinto, que não têm um contributo para a competitividade do país".
"Fazer lindos equipamentos pode fazer com que Portugal tenha equipamentos mais modernos, mas não dá uma economia mais competitiva e, por isso, tenho vindo a apelar ao Governo no sentido de não seguir em frente com esses projectos", lembrou Marques Mendes.
Cavaco Silva, defendeu sexta-feira um debate e uma "profunda análise custo-benefício" sobre a "rentabilidade de grandes investimentos" previstos para o país, como o comboio de alta velocidade (TGV).
Numa viagem entre Lisboa e Albufeira num comboio Alfa Pendular, comemorativa dos 150 anos dos caminhos-de-ferro portugueses, Cavaco Silva adiantou que o assunto do TGV "não tem dominado" as conversas que mantém com o primeiro-ministro, José Sócrates.
"É bom que se debata a rentabilidade desses grandes investimentos - e sem dúvida o TGV é um grande investimento - para saber se, de facto, contribui para uma melhoria do bem-estar dos portugueses", disse o Presidente, defendendo a necessidade de fazer "análises custo-benefício muito profundas" sobre o assunto.
Afirmando-se convicto de que o Governo "já analisou em parte esse problema", escusou a pronunciar-se sobre a utilidade do TGV.
Já hoje, o primeiro-ministro deixou claro que Portugal vai avançar com o projecto do TGV "apostando desde já na ligação a Madrid".
Em resposta aos jornalistas que o interrogaram em Chaves sobre o apelo do Presidente da República, Sócrates disse que o debate existe há 10 anos e vai continuar, mas que "Portugal não pode ficar de fora da rede de alta-velocidade de toda a Europa".
"Isso seria um erro que o país pagaria caro em termos de competitividade e qualidade de vida", salientou José Sócrates.
Para o primeiro-ministro, o avanço no projecto do TGV deve ser feito "com o ritmo apropriado, apostando desde já na ligação a Madrid também para transformar o território da Península Ibérica num território mais competitivo".